Super-quarta decide o rumo dos juros: Fed pode subir taxa sob Warsh enquanto Copom deve cortar a Selic
O que ficou da semana
O Ibovespa fechou a sexta-feira em queda de 0,56%, aos 187.206 pontos, pressionado por realização de lucros e pela reversão dos preços do petróleo — mas ainda assim acumulou alta de 1,11% na semana. O dólar subiu 0,44%, a R$ 5,125, em meio à cautela com os desdobramentos da crise institucional no STF. Em Nova York, o clima foi de apetite por risco: S&P 500 avançou 0,86%, Dow Jones 0,98% e Nasdaq 0,96%. No pano de fundo da semana, o petróleo Brent chegou a romper US$ 101 o barril por conta da escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, antes de recuar na sexta.
A agenda que importa
A semana é dominada pela "Super Quarta" do dia 16/9. O Copom se reúne nos dias 15 e 16 e deve anunciar a decisão à noite de quarta, com o mercado precificando cerca de 95% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic, para 13,75% ao ano — movimento reforçado pela deflação do IPCA em agosto (-0,32%). No mesmo dia, às 15h (BRT), o Federal Reserve divulga sua decisão trimestral, acompanhada de projeções econômicas e coletiva de imprensa de Kevin Warsh. Antes disso, a segunda-feira (14/9) traz o Boletim Focus do Banco Central, e a terça (15/9) concentra as vendas no varejo no Brasil. Ainda na quarta, saem o IGP-10, o IBC-Br e o fluxo cambial.
Os temas em aberto
O mais relevante é a virada de tom do Fed sob Kevin Warsh, que assumiu a presidência em maio e endureceu o discurso sobre inflação: o mercado atribui cerca de 1 em 3 de chance de alta de juros já nesta quarta, e mais de 90% de probabilidade de aumento até dezembro — um giro em relação ao ciclo de cortes que sustentou o apetite por risco em boa parte de 2026. No Brasil, a crise institucional no STF continua no radar: o presidente Edson Fachin determinou a quebra de sigilo dos inquéritos do Caso Master em até 24 horas, e a AGU pediu a suspensão de decisão do ministro Mendonça — episódio que se soma a uma pesquisa Meio/Ideia mostrando Lula tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno. No Oriente Médio, a tensão entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz permanece como risco para o abastecimento de petróleo.