O que ficou da semana
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou praticamente estável, com -0,02%, aos 185.147 pontos — mas encerrou a semana com ganho de 5,4%, a maior alta semanal desde janeiro, acumulando 14,91% no ano. O dólar subiu 0,50%, a R$ 5,13, ainda que tenha recuado 1,27% na semana. Em Nova York, o payroll de agosto surpreendeu com 162 mil vagas criadas — quase três vezes a projeção de 55 mil —, com desemprego estável em 4,1%. O dado reacendeu o debate sobre o próximo passo do Fed: a chance de manutenção ou alta de juros na reunião de 15 e 16 de setembro subiu de 55% para 65% nas apostas do mercado. S&P 500 (-0,38%), Dow Jones (-0,51%) e Nasdaq (-0,29%) fecharam no vermelho.
A agenda que importa
Segunda-feira (7) é feriado no Brasil (Independência) e nos Estados Unidos (Labor Day), o que deve reduzir a liquidez na abertura da semana. Na quinta (10), às 9h30 (BRT), saem o PPI e os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA — termômetro prévio para a sexta. O centro da semana é sexta-feira (11): às 9h30, o CPI de agosto dos EUA mede se a inflação ainda dá margem para o Fed cortar juros; no Brasil, o IPCA de agosto sai no mesmo dia e vai calibrar a expectativa para o Copom, que também se reúne em 15 e 16 de setembro. O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,44%, dentro da meta, mas o Focus projeta 5,01% para o fechamento de 2026.
Os temas em aberto
A corrida eleitoral segue como o driver dominante do Ibovespa: a pesquisa mais recente (30/8 a 2/9) mostra Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto contra 44% de Lula, dentro da margem de erro — outro levantamento aponta 42% a 41% na direção oposta. O mercado tem precificado o resultado eleitoral mais do que os fundamentos domésticos. No front externo, a guerra entre Estados Unidos e Irã completa sete meses, mantendo o Brent acima de US$ 96,50 e o WTI acima de US$ 92, com o Estreito de Ormuz sob risco de disrupção. Nos EUA, o mercado migrou de uma leitura de corte líquido de juros para uma disputa mais equilibrada entre manutenção e novo aperto — o CPI de sexta é o próximo teste dessa tese.
A leitura para o portfólio
Com o Ibovespa (BOVA11) reagindo mais à pesquisa eleitoral do que ao calendário econômico, a semana de liquidez reduzida por feriados tende a ampliar movimentos bruscos diante de qualquer notícia política nova. Do lado americano, o CPI de sexta é o dado que mais deve mexer com o apetite por risco global — uma leitura acima do esperado reforça a tese de juros mais altos por mais tempo e pressiona ativos sensíveis a esse cenário, caso do IVVB11. O petróleo em alta por tensão geopolítica é outro vetor a observar na reabertura, com efeito indireto sobre o câmbio e sobre o peso de commodities no índice local.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.