O que ficou da semana
O Ibovespa encerrou sexta-feira (28) aos 175.664 pontos, oitava alta consecutiva, com ganho semanal de 2,7% — a primeira sequência positiva em três semanas. O dólar subiu 0,66%, a R$ 5,1959. Em Nova York, o cenário foi mais tenso: o S&P 500 caiu 0,25% no pregão, mas fechou a semana com alta de 0,5%; o Nasdaq perdeu 0,52% na sexta, embora tenha somado 0,9% na semana.
O que dominou a semana foi a estreia de Kevin Warsh como presidente do Fed no simpósio de Jackson Hole. Ele chamou a inflação de "preocupante" e evitou sinalizar o próximo passo do banco central, mas o tom foi lido como hawkish: o índice de preços PCE de julho, indicador preferido do Fed, veio em 3,7% na comparação anual (núcleo em 3,3%), acima da meta de 2%. A Treasury de 2 anos subiu a 4,22%, e o mercado passou a precificar cerca de 38% de chance de alta de juros na reunião de 15 e 16 de setembro — ante 55% um mês atrás.
A agenda que importa
Segunda (31/08), 14h30: Brasil e EUA retomam a negociação sobre o tarifaço, após ligação entre Lula e Trump na semana passada — primeiro sinal concreto de destravamento desde a imposição das tarifas.
Terça (01/09): o IBGE divulga o PIB do Brasil do segundo trimestre, termômetro da atividade doméstica; nos EUA, saem o ISM Industrial e o Jolts (vagas em aberto), primeiros retratos do mercado de trabalho antes do payroll.
Sexta (04/09): payroll de agosto nos EUA — o dado mais aguardado da semana, decisivo para a leitura sobre alta ou pausa de juros em setembro.
Os temas em aberto
Juros nos EUA: o Fed sob Warsh não descartou alta de juros pela primeira vez em anos, invertendo a leitura de corte que prevalecia até julho. A trajetória dos próximos dados de emprego e inflação define se a reunião de setembro trará alta, pausa ou o corte que o mercado ainda esperava semanas atrás.