O que move os mercados nesta manhã
O evento que concentra as atenções do mercado global nesta sexta-feira é a estreia de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve em Jackson Hole: seu discurso está marcado para as 11h (BRT). É a primeira aparição pública de peso do novo chairman desde que assumiu o cargo, em maio, no lugar de Jerome Powell — e o mercado chega dividido, precificando cerca de 1 em 3 chance de alta de juros na reunião do FOMC de 16 de setembro, num cenário em que a inflação segue acima da meta de 2% e os yields do Treasury de 10 anos rondam 4,7%. Na Ásia, o clima é de otimismo cauteloso: o Nikkei fechou em alta de 0,8%, a 66.682,88 pontos, e o Hang Seng subiu 0,3%, a 25.648,40 pontos, no rastro do rali de tecnologia em Nova York. Já o Kospi sul-coreano recuou 1,79%, pressionado por ações de semicondutores. Na Europa, os futuros operam no positivo — DAX futuro +0,31%, CAC 40 futuro +0,22%, Eurostoxx futuro +0,28% — após um pregão de quinta-feira majoritariamente negativo no continente.
Como fechou o último pregão
Wall Street fechou ontem em alta firme, puxada pelo resultado trimestral da Nvidia, que superou as expectativas de lucro e trouxe projeção de receita acima do esperado: o Nasdaq disparou 1,57%, a 26.541,35 pontos; o S&P 500 avançou 0,72%, a 7.730,99 pontos; e o Dow Jones subiu 0,20%, a 53.569,44 pontos. No Brasil, o Ibovespa encerrou o sétimo pregão seguido em alta, subindo 0,31%, a 175.135,41 pontos, com apoio de Petrobras e do humor positivo importado de Nova York; o volume financeiro somou R$ 23,07 bilhões. O dólar fechou cotado a R$ 5,151 (+0,22%), com PTAX em 5,1604. No exterior, o ouro recuou para US$ 4.590,30 a onça depois que o índice de preços PCE de julho — a métrica de inflação preferida do Fed — veio mais forte que o esperado, empurrando para cima os yields do Treasury e o dólar.
Agenda do dia
O símbolo maior do dia é o discurso de Warsh em Jackson Hole, às 11h (BRT), que pode sinalizar o tom da política monetária americana antes do FOMC de 16 de setembro. No Brasil, a agenda traz o IGP-M, a Sondagem do Comércio e a Sondagem de Serviços, o Saldo de Crédito, o Índice de Preços ao Produtor de indústrias extrativas e de transformação, o Caged (emprego formal) e o Resultado Primário do Governo Central, além da definição da bandeira tarifária de energia elétrica.
A leitura para o portfólio
O tom da manhã é de cautela otimista: os mercados sobem em compasso de espera pelo recado de Warsh, e qualquer sinalização mais dura sobre juros tende a reverter rapidamente o humor visto na Ásia e na Europa. Para o investidor local, a sequência de sete altas do Ibovespa tende a dar impulso inicial ao BOVA11 na abertura, mas o apetite por risco depende do que vier de Jackson Hole. Lá fora, o resultado da Nvidia sustenta o viés positivo para NASD11 e IVVB11, enquanto o recuo do ouro após o PCE mais forte é um sinal de câmbio para quem monitora GOLD11 — o metal perde força justamente quando yields e dólar sobem. Com o dólar em alta e o Treasury de 10 anos perto de 4,7%, o cenário overnight favorece ativos de risco nos EUA, mas o veredito de hoje está nas mãos do novo presidente do Fed.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.