Kevin Warsh estreia em Jackson Hole às 11h com Fed sob pressão por alta de juros em setembro
Antes do Pregão

Kevin Warsh estreia em Jackson Hole às 11h com Fed sob pressão por alta de juros em setembro

Kevin Warsh discursa pela primeira vez como presidente do Fed em Jackson Hole nesta sexta (11h BRT), com o mercado precificando cerca de 1 em 3 chance de alta de juros na reunião de 16 de setembro. Ásia e Europa operam no positivo após o rali liderado pela Nvidia em Nova York; o ouro cede após dados de inflação PCE mais fortes que o esperado.

O que move os mercados nesta manhã

O evento que concentra as atenções do mercado global nesta sexta-feira é a estreia de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve em Jackson Hole: seu discurso está marcado para as 11h (BRT). É a primeira aparição pública de peso do novo chairman desde que assumiu o cargo, em maio, no lugar de Jerome Powell — e o mercado chega dividido, precificando cerca de 1 em 3 chance de alta de juros na reunião do FOMC de 16 de setembro, num cenário em que a inflação segue acima da meta de 2% e os yields do Treasury de 10 anos rondam 4,7%. Na Ásia, o clima é de otimismo cauteloso: o Nikkei fechou em alta de 0,8%, a 66.682,88 pontos, e o Hang Seng subiu 0,3%, a 25.648,40 pontos, no rastro do rali de tecnologia em Nova York. Já o Kospi sul-coreano recuou 1,79%, pressionado por ações de semicondutores. Na Europa, os futuros operam no positivo — DAX futuro +0,31%, CAC 40 futuro +0,22%, Eurostoxx futuro +0,28% — após um pregão de quinta-feira majoritariamente negativo no continente.

Como fechou o último pregão

Wall Street fechou ontem em alta firme, puxada pelo resultado trimestral da Nvidia, que superou as expectativas de lucro e trouxe projeção de receita acima do esperado: o Nasdaq disparou 1,57%, a 26.541,35 pontos; o S&P 500 avançou 0,72%, a 7.730,99 pontos; e o Dow Jones subiu 0,20%, a 53.569,44 pontos. No Brasil, o Ibovespa encerrou o sétimo pregão seguido em alta, subindo 0,31%, a 175.135,41 pontos, com apoio de Petrobras e do humor positivo importado de Nova York; o volume financeiro somou R$ 23,07 bilhões. O dólar fechou cotado a R$ 5,151 (+0,22%), com PTAX em 5,1604. No exterior, o ouro recuou para US$ 4.590,30 a onça depois que o índice de preços PCE de julho — a métrica de inflação preferida do Fed — veio mais forte que o esperado, empurrando para cima os yields do Treasury e o dólar.

Agenda do dia

O símbolo maior do dia é o discurso de Warsh em Jackson Hole, às 11h (BRT), que pode sinalizar o tom da política monetária americana antes do FOMC de 16 de setembro. No Brasil, a agenda traz o IGP-M, a Sondagem do Comércio e a Sondagem de Serviços, o Saldo de Crédito, o Índice de Preços ao Produtor de indústrias extrativas e de transformação, o Caged (emprego formal) e o Resultado Primário do Governo Central, além da definição da bandeira tarifária de energia elétrica.

A leitura para o portfólio

O tom da manhã é de cautela otimista: os mercados sobem em compasso de espera pelo recado de Warsh, e qualquer sinalização mais dura sobre juros tende a reverter rapidamente o humor visto na Ásia e na Europa. Para o investidor local, a sequência de sete altas do Ibovespa tende a dar impulso inicial ao BOVA11 na abertura, mas o apetite por risco depende do que vier de Jackson Hole. Lá fora, o resultado da Nvidia sustenta o viés positivo para NASD11 e IVVB11, enquanto o recuo do ouro após o PCE mais forte é um sinal de câmbio para quem monitora GOLD11 — o metal perde força justamente quando yields e dólar sobem. Com o dólar em alta e o Treasury de 10 anos perto de 4,7%, o cenário overnight favorece ativos de risco nos EUA, mas o veredito de hoje está nas mãos do novo presidente do Fed.

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