O fato
A reta final da eleição presidencial move o mercado hoje. Por volta das 10h40 desta segunda-feira, o dólar operava em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,053, enquanto o Ibovespa avançava 0,85%, aos 207.172 pontos — acima do fechamento de sexta-feira (16/10), que havia terminado em alta de 0,54%, aos 205.430 pontos. O movimento segue o primeiro debate presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula, exibido na TV Band, e a divulgação de novas pesquisas eleitorais pela manhã. O segundo turno ocorre no próximo domingo, dia 25 de outubro.
Por que importa
Mercado de câmbio e bolsa precificam risco eleitoral o tempo todo — e isso não é novidade nesta campanha. Desde o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, segundo o TSE, o real se valorizou e o Ibovespa rompeu a marca histórica de 200 mil pontos, no episódio batizado de "Flávio Day". A lógica é direta: cada sinal de desfecho eleitoral reconfigura a expectativa sobre política fiscal, arcabouço de gastos e relação do próximo governo com o Banco Central — e isso se traduz em prêmio de risco embutido no câmbio e nos juros futuros. Pesquisas recentes, como a BTG/Nexus de 13 de outubro (Flávio com 48% e Lula com 45%, dentro da margem de erro de dois pontos), mantêm o quadro de empate técnico, o que explica a volatilidade maior que o normal nos pregões desta semana.
Quem reage
O Ibovespa, replicado pelo BOVA11 na B3, é o termômetro mais direto desse movimento e soma ganho acumulado expressivo no ano — o índice avança perto de 30% em 2026. Do lado cambial, o alívio do dólar favorece papéis de empresas com dívida em moeda estrangeira e setores sensíveis ao custo de capital doméstico, como construção civil e varejo. Já exportadoras de commodities tendem a sentir o efeito contrário de um real mais forte. No boletim Focus mais recente, a projeção de dólar para o fim do ano caiu de R$ 5,15 para R$ 5,13, com a Selic projetada em 13,25% ao ano — números que sustentam a leitura de um mercado que já embute parte da normalização do risco político no preço dos ativos.