O fato
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), a quatro dias do segundo turno, mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto contra 44% de Lula (PT) — dentro da margem de erro de 2 pontos, portanto empate técnico. A rejeição a Lula caiu de 53% para 47% em uma semana, enquanto a de Flávio ficou em 52%. O levantamento ouviu 2.154 eleitores entre os dias 17 e 20 de outubro e está registrado no TSE sob o número BR-08535/2026.
A divulgação, por volta das 10h15, inverteu o sinal do mercado: o Ibovespa, que havia tocado 209.244,70 pontos mais cedo, passou a operar em queda de 0,13%, aos 208.034,46 pontos, por volta das 11h05. O dólar subiu 0,09%, cotado a R$ 5,023 na venda, depois de abrir o dia em alta de 0,17%.
Por que importa
Desde que as pesquisas passaram a mostrar Flávio na frente, o mercado vinha precificando um cenário de ajuste fiscal com a vitória do senador — o Ibovespa fechou terça-feira (20) em alta de 1,57%, aos 208.295,90 pontos, e o dólar recuou 0,58%, a R$ 5,019. A aproximação entre os candidatos reduz a convicção dessa aposta e devolve volatilidade a ações e câmbio a poucos dias da votação. Gestores citados pelo mercado projetam cenários distintos conforme o resultado: dólar entre R$ 4,00 e R$ 4,80 e Ibovespa entre 220 mil e 250 mil pontos em caso de vitória de Flávio; dólar acima de R$ 5,30 em um cenário Lula. A distância entre essas faixas mede o tamanho do prêmio de risco embutido no pregão de hoje.
Quem reage
O movimento intradiário concentra-se em ações mais sensíveis ao resultado eleitoral — bancos, varejo e small caps, que capturam a leitura de risco doméstico. Na B3, essa exposição se traduz em BOVA11, que replica o Ibovespa, e em SMAL11, mais sensível a oscilações de humor político por concentrar empresas domésticas. O dólar segue como termômetro direto da indefinição eleitoral.