O fato
O Ibovespa opera em alta de 1,14%, nos 207.410 pontos na abertura e tocando a casa dos 208 mil ao longo da manhã desta terça-feira (20/10), enquanto o dólar recua a R$ 5,01. O movimento é puxado por Petrobras e B3, mas o combustível real da sessão vem de fora: o petróleo Brent passou de US$ 110 e chegou a US$ 111 o barril, maior preço em cinco meses, depois que rebeldes houthis declararam ataques a instalações na Arábia Saudita e a embarcações no Golfo nesta segunda-feira.
A isso se soma a reta final da eleição presidencial: faltam cinco dias para o segundo turno, em 25 de outubro, e as pesquisas divergem. A Real Time Big Data aponta Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula. Já o BTG/Nexus mostra empate técnico, 46,5% a 45,9%. A Atlas/Bloomberg, por sua vez, dá 49,8% a 47,6% para o senador.
Por que importa
São duas forças empurrando o mercado na mesma direção, por motivos diferentes. O "trade eleitoral" segue precificando uma gestão fiscal mais ortodoxa a partir de 2027, o que sustenta a bolsa e o real desde a alta histórica do primeiro turno. Paralelamente, o choque geopolítico no Oriente Médio eleva o preço do barril, e isso favorece diretamente a Petrobras — hoje com algo em torno de 12% de peso no índice, suficiente para mover o Ibovespa por conta própria.
O problema é que o mesmo petróleo que hoje infla a bolsa também é insumo de diesel e gasolina. Com o IPCA de 2026 já perto do teto da meta no Boletim Focus, uma alta sustentada do Brent reduz o espaço para o Banco Central aprofundar o ciclo de corte da Selic, hoje em 14% ao ano, com expectativa de mercado em torno de 13,5%-13,75% até dezembro.