O fato
A três dias do segundo turno, o mercado brasileiro opera nervoso nesta quinta-feira. O Ibovespa abriu estável, perto dos 206.492 pontos, mas ao longo da manhã passou a testar mínimas próximas de 203,7 mil pontos — queda que amplia o tombo de 0,86% registrado na quarta-feira, quando o índice fechou em 206.495 pontos. O dólar à vista opera em alta, acima de R$ 5,04, depois de fechar a véspera em R$ 5,027. O gatilho é político: a pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto contra 44% de Lula (PT), empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. O mercado aguarda a rodada do Datafolha, prevista para as 19h de hoje, e o segundo turno ocorre domingo, dia 25.
Por que importa
Bolsa e câmbio no Brasil não reagem a fundamentos de curto prazo nesta semana — reagem a probabilidade eleitoral. Com os institutos de pesquisa apontando disputa dentro da margem de erro, o prêmio de risco embutido nos ativos domésticos sobe junto com a incerteza sobre o resultado de domingo. É o mecanismo clássico: quando a diferença entre os candidatos encolhe, o mercado precifica mais cenários possíveis de política fiscal e monetária a partir de 2027, e isso eleva o custo de carregar risco Brasil — dólar mais caro, juros futuros mais altos, bolsa mais instável. O Ibovespa, que chegou a renovar máxima histórica em 209,7 mil pontos em 9 de outubro (no calor da folga do primeiro turno), hoje devolve parte desse otimismo porque o cenário deixou de ser unilateral.
Quem reage
A pressão aparece em cadeia: juros futuros (DI) sobem junto com o dólar, movimento típico de aversão a risco local. Para quem acompanha via ETFs da B3, o BOVA11 replica a oscilação do Ibovespa e tende a operar no vermelho no mesmo ritmo do índice. Do lado externo, o IVVB11 (exposição ao S&P 500) funciona como termômetro de quanto do nervosismo é só doméstico — enquanto o exterior seguir estável, a queda fica concentrada em ativos brasileiros. Papéis domésticos mais sensíveis a política econômica, como bancos (WEG também citada entre os destaques negativos do dia) e estatais, tendem a liderar as perdas. À noite, o Bradesco divulga balanço do terceiro trimestre — resultado que compete por atenção com a pesquisa Datafolha na formação do humor de sexta-feira.