O fato
O Brasil vota hoje, domingo, 25 de outubro, no segundo turno da eleição presidencial que definirá quem ocupa a Presidência pelos próximos quatro anos. Os pregões de ações e câmbio não funcionam nos fins de semana, mas a véspera do voto já moveu os preços: na sexta-feira (23), o Ibovespa fechou em alta de 0,47%, a 205.082 pontos — ainda assim, com queda de 0,17% na semana. O dólar comercial recuou 0,92% no dia, para R$ 4,993, abaixo da marca de R$ 5 e acumulando perda de 1,58% na semana. Reforçou o movimento o IPCA-15 de outubro, divulgado na mesma sexta, que veio em 0,32% — abaixo do esperado pelo mercado.
Por que importa
O que pesa sobre o preço de um ativo nem sempre é o resultado da eleição, mas a própria incerteza de um pleito ainda indefinido. Quanto mais perto a disputa chega do desfecho, menor tende a ficar o prêmio de risco embutido no real e nos ativos locais — parte do motivo pelo qual o dólar perdeu a marca de R$ 5 na última sessão antes da votação. O IPCA-15 mais fraco que o esperado reforça essa leitura: inflação em desaceleração sustenta a aposta de que o Banco Central não precisará voltar a subir os juros, com a próxima decisão da Selic marcada só para 3 e 4 de novembro — não há reunião do Copom em outubro.
Como a semana fechou
O BOVA11, que replica o Ibovespa, encerrou a semana praticamente no zero a zero, acompanhando a oscilação de -0,17% do índice. Já o real mais forte corta parte do retorno em reais de ETFs dolarizados: fundos como IVVB11 (S&P 500) e NASD11 (Nasdaq) perdem valor na conversão quando a moeda brasileira se aprecia, mesmo que os índices americanos subam em dólar. O petróleo também subiu na sexta, movimento que tende a repercutir em papéis ligados à commodity na reabertura dos mercados.
O que fica para o investidor
A semana que começa concentra dois eventos capazes de mover o câmbio e a bolsa além da política doméstica. O primeiro é a própria reação do mercado ao resultado da eleição na abertura de segunda-feira — pleitos em segundo turno historicamente produzem volatilidade acima da média no primeiro pregão após o voto, nos dois sentidos. O segundo é a decisão de juros do Federal Reserve, na quarta-feira (28), às 15h (horário de Brasília). Depois de subir os juros em setembro para a faixa de — resposta a uma inflação ao consumidor que voltou a acelerar nos EUA —, o mercado precifica a manutenção da taxa em outubro, com atenção voltada para dezembro. Um Fed estável mantém atrativo o diferencial de juros em favor do Brasil, fator que ajudou o real a se valorizar ao longo do ano. Para o investidor, o roteiro da semana é observar como a bolsa absorve o resultado das urnas na abertura e como o comunicado do Fed na quarta-feira posiciona o dólar e os ativos de risco para o fim do ano.