O fato
O Brasil decide neste domingo, 25 de outubro, o segundo turno mais disputado da redemocratização: Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). No último pregão antes da votação, nesta sexta-feira (23/10), o Ibovespa fechou em alta de 0,47%, aos 205.082,56 pontos, mas acumulou queda de 0,17% na semana. O dólar recuou e fechou cotado a R$ 4,98, primeira vez abaixo da marca de R$ 5 em semanas. A cautela foi a marca do pregão: investidores evitaram grandes posições, enquanto a procura por opções de venda — proteção contra queda — saltou mais de 90% entre os dias 5 e 20 de outubro, segundo dados da B3.
Por que importa
O resultado da urna define a direção da política fiscal para os próximos quatro anos, e é isso que o mercado precifica, não o nome do vencedor em si. A consultoria de risco político Eurasia reduziu de 70% para 60% a probabilidade atribuída à vitória de Flávio Bolsonaro, sinalizando um páreo mais acirrado do que o previsto semanas atrás — e é justamente essa incerteza, mais do que qualquer favoritismo, que explica a disparada na busca por proteção. Quando o resultado é incerto, o prêmio de risco sobe antes do fato: por isso o dólar oscila pouco e as opções ficam caras, mesmo com a bolsa perto de máximas.
Como a semana fechou
O Ibovespa encerrou a semana praticamente estável, com viés de cautela — o equivalente, via BOVA11, a um investidor que não girou a carteira, mas também não reduziu proteção. O dólar abaixo de R$ 5,00 reflete fluxo ainda favorável ao real, não uma aposta fechada em um dos dois lados. Do lado das commodities, a Petrobras segue no radar: o Goldman Sachs alertou para o risco de novo reajuste nos preços de combustíveis já na segunda-feira, independentemente de quem vencer, dada a defasagem acumulada do diesel frente ao preço internacional.
O que fica para o investidor
A abertura de segunda-feira deve concentrar toda a reação represada da semana: o resultado da urna sai ainda no domingo à noite, e o pregão de segunda tende a precificar de uma vez o que as opções já vinham sinalizando. Historicamente, o mercado reage com mais força à clareza do resultado do que ao nome do eleito — por isso vale observar a abertura do dólar, o comportamento de e as ações de Petrobras, mais sensíveis a uma eventual mudança de política de preços. Na quarta-feira (28/10), o Federal Reserve anuncia sua decisão de juros nos Estados Unidos, o que soma outra fonte de volatilidade à semana que começa. Para quem tem posição em renda variável, o momento pede atenção ao noticiário, não reação apressada ao primeiro movimento de pregão.