O fato
A economia americana cresceu 3,4% em ritmo anualizado no terceiro trimestre, segundo a primeira estimativa do Departamento de Comércio dos EUA divulgada nesta quinta-feira (29/10). O consenso esperava 3,2%, e o segundo trimestre havia registrado 2,2%. Consumo das famílias e investimento puxaram a alta; exportações em queda limitaram o avanço.
No mesmo pacote saiu o PCE de setembro, a medida de inflação preferida do Federal Reserve: alta de 0,5% no mês e 3,6% em 12 meses, acima dos 3,4% de agosto. O núcleo, sem alimentos e energia, ficou em 3,1%. Ambos vieram em linha com as projeções.
Por que importa
O dado chega um dia depois de o Fed manter os juros entre 3,75% e 4,00%, em votação de 10 a 2, com dois dirigentes defendendo alta de 0,25 ponto. O comunicado de quarta (28/10) reconheceu que a inflação segue elevada.
Uma economia acelerando com inflação em 12 meses subindo reduz o argumento para alívio monetário nos EUA e mantém aberta a possibilidade de nova alta em dezembro. O título de 10 anos do Tesouro americano rende perto de 5%, nível próximo ao maior desde julho de 2007. Juro alto lá encarece o capital global e pesa sobre moedas emergentes — o real incluído.
Para o Brasil, o choque se soma a um quadro doméstico já tenso: o mercado aguarda sinais fiscais e a composição da equipe do novo mandato de Lula, e o Copom se reúne na próxima semana com expectativa majoritária de corte de 0,25 ponto. Dólar mais forte e inflação acima do teto da meta estreitam esse espaço.
Quem reage
O dólar comercial opera em alta e chegou a R$ 5,376 na máxima do dia (+0,69%). O Ibovespa recua cerca de 0,6%, na casa dos , depois de fechar a quarta-feira em queda de , aos 171.006 pontos — terceiro pregão seguido de perdas. Os juros futuros sobem. Em ETFs, o movimento chega a BOVA11 e, com mais intensidade, a SMAL11, mais sensível a juros domésticos.