O fato
Lula (PT) foi reeleito presidente no segundo turno de domingo, 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL) — resultado que inverteu a vantagem que Bolsonaro tinha no primeiro turno (47,03% a 45,16%) e contrariou o cenário que a maior parte do mercado financeiro vinha precificando. Na abertura do pregão desta segunda-feira, o Ibovespa caiu até 17,3%, aos 169.516 pontos, levando a B3 a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020 — negociação suspensa por 30 minutos a partir das 10h03. Por volta do meio-dia, o índice operava em queda de 15,8%, aos 172.669 pontos, partindo do fechamento de sexta-feira em 205.082 pontos. O dólar comercial opera em alta de 8,6%, a R$ 5,43, e os contratos de juros futuros (DI) sobem mais de 300 pontos-base em alguns vencimentos na abertura — o DI para janeiro de 2035 chegou a avançar 263 pontos-base.
Por que importa
Parte relevante do mercado havia montado posições apostando na vitória de Flávio Bolsonaro, visto como candidato mais alinhado a uma agenda fiscal de corte de gastos. Com a reeleição de Lula, esses investidores agora desmontam posições às pressas — o movimento típico de um mercado pego do lado errado de uma eleição. A reação não é só sobre quem governa: é sobre a trajetória fiscal dos próximos quatro anos. Juros futuros mais altos embutem a leitura de que o mercado vai exigir prêmio de risco maior para financiar a dívida pública, e o dólar mais caro reflete saída de capital estrangeiro e busca por proteção. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos previstos para hoje — mantendo apenas a oferta de LFTs, que pagam a Selic — numa tentativa de não realimentar a alta das taxas. A B3, por sua vez, elevou os limites de oscilação para os contratos de DI em todos os vencimentos, sinal de que a volatilidade deve seguir elevada ao longo do pregão.
Quem reage
O tombo não é uniforme. Bancos — mais expostos à percepção de risco fiscal e de crédito doméstico — levam a pior parte: Banco do Brasil (BBAS3) opera com perda de 31% e Bradesco (BBDC4) cai 24,5%, ambos em sucessivos leilões ao longo da manhã. Petrobras (PETR4) recua — a presidente da estatal, Magda Chambriard, classificou o movimento como "especulativo" e sem relação com os fundamentos da empresa. Na ponta contrária, Vale (VALE3) sobe , favorecida por ser exportadora e ter preço referenciado em dólar. Para quem acompanha o Ibovespa via ETF, o reflete a mesma queda de cerca de 15% do índice. Já o dólar mais caro favorece ativos dolarizados: o , que replica o S&P 500 em reais, tende a subir hoje mesmo sem movimento relevante em Nova York — puro efeito cambial.