O fato
O Ibovespa opera em queda de cerca de 3%, perto dos 170 mil pontos, por volta do meio-dia desta quarta-feira (28), no terceiro pregão desde a reeleição de Lula no segundo turno, no último domingo (25). O movimento prolonga a sequência negativa: o índice já havia recuado 13,88% na segunda-feira (26), ao fechar em 176.608,23 pontos — acionando o circuit breaker da B3 pela primeira vez desde março de 2020 — e caído mais 0,51% na terça (27), a 175.710,05 pontos. O dólar, que chegou a subir mais de 8% e tocar acima de R$ 5,50 no pico do estresse de segunda-feira, opera hoje perto de R$ 5,32, após fechar a terça em R$ 5,3488 (-1,07%).
Em paralelo, o mercado aguarda a decisão de juros do Federal Reserve, às 15h (horário de Brasília), seguida de coletiva do presidente do BC americano, Kevin Warsh. A expectativa — cerca de 90%, segundo a ferramenta FedWatch — é de manutenção da taxa entre 3,75% e 4,00% ao ano.
Por que importa
Analistas atribuem o movimento menos à vitória de Lula em si e mais ao desmonte de posições que apostavam numa troca de governo — fluxo que se reverteu com força quando o resultado confirmou a reeleição. É um ajuste técnico de apostas alavancadas, amplificado pela incerteza sobre a condução fiscal do próximo mandato — tema que ganhou um capítulo extra hoje: a equipe econômica estuda cobrar IOF sobre títulos hoje isentos de Imposto de Renda, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, por meio de decreto, sem depender do Congresso. O estoque desses papéis soma mais de R$ 1,1 trilhão (R$ 544 bilhões em LCI e R$ 563 bilhões em LCA, dados de junho), e a isenção custa ao governo cerca de R$ 33 bilhões por ano em renúncia fiscal — o problema que a medida tenta atacar, num movimento parecido ao da MP 1.303, derrotada no Congresso em 2025.