O fato
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou, no domingo (25/10), a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato, com 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), 59.826.041 votos. Na segunda-feira (26/10), o mercado reagiu com violência: o Ibovespa despencou 13,88%, fechando em 176.608 pontos — o pior nível desde 31 de agosto —, após oscilar entre a mínima de 169.516 e a máxima de 205.088 pontos no intradia. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende os negócios em quedas abruptas, pela primeira vez desde 2020. O dólar disparou a R$ 5,60.
Nesta terça-feira (27/10), por volta do meio-dia, o quadro é de tentativa de estabilização: o Ibovespa cede 0,34%, aos 176.012 pontos, o dólar recua a R$ 5,34 e os juros futuros (DI) também cedem, num alívio parcial frente ao pânico da véspera.
Por que importa
Uma eleição decidida por margem apertada e o ineditismo da virada no segundo turno — Flávio Bolsonaro liderava o primeiro turno com 47,03% contra 45,16% de Lula — ampliaram a incerteza sobre o rumo fiscal e a composição da equipe econômica do quarto mandato. Em situações assim, câmbio, juros e bolsa reagem em bloco: o dólar sobe como proteção contra risco-país, os juros futuros embutem prêmio de incerteza fiscal, e a bolsa é vendida pelo capital estrangeiro, mais sensível a sinalizações políticas. O circuit breaker não é um termômetro de crise econômica, mas de velocidade: ele existe para dar tempo ao mercado de reprecificar sem viés de pânico puro. O alívio de hoje mostra que parte do movimento de segunda foi overreaction, mas o índice segue bem abaixo do patamar pré-eleição.
Quem reage
O Ibovespa — replicado pelo BOVA11 na B3 — tenta estabilizar após o tombo, mas opera no vermelho nesta terça. O dólar, que havia tocado R$ 5,60 na segunda, recua para R$ 5,34 nas primeiras horas de hoje, sinal de que o mercado começa a reavaliar o exagero da reação inicial. Os juros futuros (DI) seguem na mesma direção, cedendo ante o pico de segunda-feira — ainda que longe do nível anterior ao pleito. Estatais como Petrobras (PETR3/PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3), historicamente as mais sensíveis a sinalizações de política de preços e indicações para cargos-chave, permanecem no radar enquanto o mercado aguarda definições sobre o Ministério da Fazenda e o Banco Central.