O que move os mercados nesta manhã
O Irã formalizou seis condições para reabrir o Estreito de Ormuz — entre elas o fim de ataques dos EUA a alvos iranianos, retirada de tropas americanas da região e pagamento de reparações de guerra. A escalada do impasse, que reacendeu ataques a navios mercantes no mês passado, empurrou o petróleo Brent a US$ 84,58 o barril (+1,2%) e o WTI a US$ 79,28 (+1,1%) nesta manhã. Em paralelo, o dólar segue perdendo força: o índice DXY recua 0,39%, para 99,539, abaixo da marca psicológica dos 100 pontos, enquanto o ouro dispara acima de US$ 4.342 a onça, no rastro da queda dos juros reais americanos. O Treasury de 10 anos opera perto de 4,65% e o VIX cede a 14,9, sinal de que o mercado segue precificando calmaria mesmo com a tensão geopolítica no radar. Na Ásia, Tóquio opera perto de máximas históricas, na casa dos 65.600 pontos, embalada pela leitura de que o Fed pode pausar o ciclo de alta de juros após o payroll fraco de sexta. Na Europa, os índices abrem mistos: DAX, CAC e Euro Stoxx sobem discretamente, enquanto o Ibex cede 0,22% após emendar quatro recordes seguidos — o mercado digere as negociações EUA-Irã.
Como fechou o último pregão
Em Nova York, o S&P 500 fechou sexta-feira em recorde, a 7.757,64 pontos (+0,62%), o Nasdaq avançou 1,30%, a 26.690,62, e o Dow Jones subiu 0,3%, a 54.036,93. O gatilho foi o payroll: os EUA fecharam 23 mil vagas no mês passado, número muito abaixo do esperado, o que reforçou apostas de pausa do Fed. Na semana, o S&P acumulou alta de 3,6%, o Nasdaq de 5,2% e o Dow de 3%. No Brasil, o cenário foi oposto: o Ibovespa recuou 1,73%, a 172.513 pontos, fechando a semana com perda de 3,08% sob pressão de Petrobras, bancos e varejo em meio à safra de balanços. A Petrobras registrou lucro líquido recorde de R$ 52,4 bilhões no trimestre (+96,8% na comparação anual), mas a ação cedeu depois que a diretoria financeira sinalizou que não deve priorizar dividendos extraordinários neste ano. O dólar fechou em queda de 0,46%, a R$ 5,0836.
Agenda do dia
No Brasil, o Banco Central divulga o Boletim Focus por volta das 8h30, com as novas projeções de mercado para Selic, inflação e câmbio. Nos EUA, o Tesouro leiloa títulos de 3 e 6 meses às 12h30 (horário de Brasília) — termômetro do apetite por dívida americana em meio às apostas de pausa no aperto monetário.
A leitura para o portfólio
O viés desta manhã é de risco moderado: dólar mais fraco e expectativa de pausa do Fed tendem a favorecer ativos de risco e moedas emergentes, mas a tensão em Ormuz é um contraponto que pode pressionar setores sensíveis a petróleo. Na abertura, o BOVA11 tende a refletir o susto do balanço da Petrobras e a queda de sexta, com possível alívio parcial vindo do dólar mais fraco. O IVVB11 e o NASD11 devem abrir acompanhando os recordes de Wall Street, enquanto o GOLD11 tende a abrir em alta, no rastro do movimento do metal. A semana ainda tem ata do Copom e IPCA de julho na terça e o CPI americano na quarta — dados que devem determinar se o movimento desta manhã ganha ou perde força.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.