O que move os mercados nesta manhã
O fim do cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã reacendeu a tensão no Oriente Médio e é o fator dominante da manhã. Teerã mantém o Estreito de Ormuz fechado até que Washington cumpra condições de um acordo provisório — a rota concentra cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. O Brent sobe pelo terceiro pregão seguido e se aproxima de US$ 91 o barril, enquanto o WTI opera perto de US$ 84,87, alta de 1%. Na Ásia, o cenário foi de alívio: Nikkei 225 fechou em alta de 1,21%, aos 66.118 pontos, e o Hang Seng subiu 1,34%, a 25.837 pontos, com os rendimentos globais recuando de máximas. Já a Europa abriu sem direção única — Euro Stoxx 50, FTSE e DAX operam perto da estabilidade — e os futuros de Nova York indicam abertura cautelosa: S&P 500 estável, Nasdaq futuro cai 0,1% e Dow Jones futuro recua 0,2%.
Como fechou o último pregão
O Ibovespa encerrou ontem em alta de 0,90%, aos 167.830,27 pontos, interrompendo uma sequência de 11 pregões consecutivos de perdas. O movimento veio na esteira do alívio nos yields dos Treasuries e da leitura de que a ata do Federal Reserve, divulgada na quarta, já refletia um cenário anterior à escalada da tensão com o Irã. O dólar recuou 0,86% ante o real, a R$ 5,1766. Na ata da reunião de 28 e 29 de julho, o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% pela quinta vez seguida, mas a decisão não foi unânime — três dos doze votantes defenderam alta de 0,25 ponto. O documento praticamente zerou as apostas de corte de juros neste ano e abriu espaço para uma nova alta até dezembro.
Agenda do dia
Às 9h30 (BRT), o Departamento do Trabalho dos EUA divulga os pedidos semanais de auxílio-desemprego, termômetro do mercado de trabalho americano em meio às dúvidas sobre o próximo passo do Fed. No Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne hoje. No radar da semana, o mercado também acompanha a possibilidade de nova fala do novo presidente do Fed, Kevin Warsh — no cargo desde maio, em substituição a Jerome Powell —, que faz sua primeira grande intervenção pública à frente do banco central americano no simpósio de Jackson Hole, em 28 de agosto.
A leitura para o portfólio
A manhã combina sinais mistos: alívio em bolsas asiáticas, cautela na Europa e futuros de Nova York próximos da estabilidade, com o petróleo em alta pressionando a leitura de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos. Para a abertura, o ambiente tende a favorecer um viés mais defensivo em ativos sensíveis a juros longos, com possível pressão sobre o NASD11 e o IVVB11 caso os futuros de tecnologia sigam no vermelho. Já o BOVA11 pode abrir com apoio do câmbio mais favorável e da alta do petróleo, ainda que a tensão geopolítica no Oriente Médio funcione como fator de cautela ao longo do pregão. O contexto reforça a atenção a ativos ligados a energia e a instrumentos de proteção cambial, num momento em que o mercado de juros nos EUA passou a precificar risco de alta, não de corte.
---
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.