O fato
O petróleo Brent opera acima de US$ 90 o barril nesta segunda-feira, a US$ 90,32, alta de 2,52% — o primeiro rompimento desse patamar desde 11 de junho. O movimento acompanha a nona noite seguida de ataques dos Estados Unidos a alvos no Irã, a confirmação da morte de um terceiro militar americano em ataque iraniano na Jordânia e o bombardeio iraniano a infraestrutura de energia no Golfo neste fim de semana, incluindo uma usina elétrica e uma dessalinizadora no Kuwait. O Irã declarou que o cessar-fogo no Estreito de Ormuz está encerrado, e o Goldman Sachs voltou a colocar na mesa o cenário de Brent a US$ 100.
Por que importa
Cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Qualquer ameaça crível de bloqueio — mesmo sem fechamento efetivo — já é suficiente para embutir prêmio de risco geopolítico no barril. Isso pressiona o custo de energia globalmente em um momento delicado: o Federal Reserve se reúne em 28 e 29 de julho ainda avaliando se a resiliência do consumo americano justifica nova alta de juros, enquanto o Banco Central brasileiro caminha para um corte da Selic em agosto, com o IPCA em desaceleração. Petróleo mais caro é o tipo de choque que pode reabrir essa divergência entre os dois lados.
Quem reage
Apesar da escalada, o apetite a risco global resiste por ora: os futuros de Nova York operam em alta (Dow Jones +0,16%, S&P 500 +0,43%, Nasdaq +0,96%), movimento que se traduz em IVVB11 e NASD11 na B3. No Brasil, o Ibovespa futuro chegou a subir 0,55%, aos 175.980 pontos, puxado em parte pelo peso do setor de petróleo no índice — leitura que passa pelo BOVA11. O dólar, por sua vez, abriu em leve queda ante o real, a R$ 5,1091 (-0,04%), sinal de que o mercado ainda não trata o episódio como gatilho de fuga para o dólar frente a moedas de países exportadores de commodities, caso do Brasil.