Petróleo avança para US$ 82 com escalada no Oriente Médio; payroll dos EUA é o foco desta sexta-feira
Antes do Pregão

Petróleo avança para US$ 82 com escalada no Oriente Médio; payroll dos EUA é o foco desta sexta-feira

Brent sobe 3,83% com hostilidades no Mar Vermelho e impasse sobre o Estreito de Ormuz, Ásia fecha no vermelho e o mercado aguarda o payroll de julho para calibrar as apostas sobre o Fed.

O que move os mercados nesta manhã

O petróleo segue como o vetor da manhã: o Brent fechou ontem em alta de 3,83%, a US$ 82,49 o barril, após a Arábia Saudita e o Iêmen trocarem hostilidades no Mar Vermelho e surgirem relatos de que o acordo entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz vetaria a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel. O WTI acompanhou, com alta de 2,75%, a US$ 77,29. Na Ásia, a leitura já é de cautela: o Nikkei fechou em queda de 0,12%, a 65.606,71 pontos, e o Kospi recuou 0,60%, a 6.258,71 pontos, com pressão sobre papéis de tecnologia como SK Hynix e SoftBank. Nos Estados Unidos, os futuros de Dow e S&P 500 avançam de forma cautelosa antes da abertura, com o mercado represado para o payroll de julho, divulgado ainda nesta manhã.

Como fechou o último pregão

Ontem, o Ibovespa recuou 1,23%, a 175.546 pontos, pressionado pelo exterior, pela temporada de balanços e pela decisão do Copom, que na terça-feira cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano — quarto corte consecutivo na mesma magnitude. O comitê manteve tom cauteloso, citando "incerteza elevada" e expectativas desancoradas; o Boletim Focus projeta inflação de 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027, ambas acima da meta. O dólar fechou em queda de 0,44%, a R$ 5,105. Em Nova York, o dia também foi de perdas: o S&P 500 cedeu 0,18%, a 7.709,96 pontos, o Dow Jones caiu 464 pontos (-0,85%), a 53.885,10, e o Nasdaq recuou 0,06%, a 26.348,35, com a alta do petróleo revivendo o temor de que o Federal Reserve precise adiar cortes de juros. O ouro fechou em queda, a US$ 4.270 a onça-troy, pressionado pela alta dos yields dos Treasuries.

Agenda do dia

O destaque de hoje é o payroll americano de julho, com o mercado projetando criação de 68 mil vagas, ante 95 mil em junho — um sinal de desaceleração do mercado de trabalho dos EUA. Na semana passada, o Fed manteve os juros, com três dirigentes votando por alta; um número fraco de empregos tende a esfriar esse discurso mais duro. No radar também segue a evolução das negociações sobre o Estreito de Ormuz e o conflito no Mar Vermelho, que continuam ditando o humor do petróleo ao longo do dia.

A leitura para o portfólio

A combinação de petróleo em alta, Ásia fechando no vermelho e Wall Street em compasso de espera pelo payroll aponta para uma abertura cautelosa por aqui, com tendência de pressão sobre o BOVA11 logo nos primeiros negócios — o Ibovespa já chega pressionado pelo corte da Selic e pelo custo mais alto de energia. Lá fora, o mesmo cenário tende a limitar o fôlego do IVVB11 e do NASD11, ainda sensíveis a qualquer sinal de que o Fed terá menos espaço para cortar juros. O GOLD11 tende a refletir a pressão do dia anterior, com o metal perdendo apelo diante de yields mais altos. O payroll desta manhã é o dado que pode inverter esse viés defensivo ao longo do pregão.

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