O fato
O dólar comercial sobe a R$ 5,01 nesta terça-feira (13/10), alta de cerca de 0,5% ante o fechamento de sexta-feira (9/10), quando a moeda havia encerrado a R$ 4,9851 — a segunda-feira foi feriado na B3. O Ibovespa opera em queda de cerca de 1%, por volta dos 206.600 pontos, com bancos e varejistas entre as maiores perdas e a Petrobras na contramão, em alta. Os juros futuros avançam em praticamente toda a curva. O gatilho é uma nova pesquisa eleitoral apontando empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado contrasta com o otimismo que dominou o mercado desde o primeiro turno, em 5 de outubro, quando o Ibovespa teve a maior alta diária desde 2020 (+7,70%) e fechou em recorde histórico de 206.911 pontos, com o dólar recuando para perto de R$ 4,95.
Por que importa
Desde o primeiro turno, o mercado vinha precificando um cenário de maior previsibilidade fiscal sob Flávio Bolsonaro — por isso comprou ações domésticas e vendeu dólar. Uma pesquisa que reabre a disputa reverte parte dessa aposta: sem favorito claro a 12 dias da votação, o prêmio de risco volta a subir e parte do capital que entrou nas últimas semanas começa a sair. É o mecanismo clássico do "trade eleitoral" — ativos brasileiros reagem menos aos fundamentos do dia e mais à probabilidade implícita de resultado nas urnas. O pano de fundo fiscal reforça a cautela: o governo anunciou perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias de microempreendedores (MEIs) às vésperas da eleição, lido pelo mercado como gasto público adicional em ano eleitoral. Soma-se o Boletim Focus mais recente, que já projetava o dólar em R$ 5,15 para o fim de 2026 e o IPCA em 5,01% — sinal de que a inflação segue resistente mesmo com a Selic em patamar elevado.
Quem reage
O movimento de hoje penaliza principalmente bancos e varejo, setores mais sensíveis a juros e ao ciclo doméstico — refletidos no BOVA11, que replica o Ibovespa e devolve parte do ganho acumulado desde o primeiro turno. Já o , atrelado ao S&P 500 e dolarizado, tende a se beneficiar justamente no dia em que a bolsa local perde força e o real se desvaloriza. A Petrobras é a exceção na ponta positiva, descolada do humor eleitoral e mais ligada ao petróleo internacional.