O fato
O Poder360/Aya divulgou nesta quinta-feira (8) a primeira pesquisa de intenção de voto para o segundo turno após a confirmação dos candidatos: Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula (PT). O resultado inverte o quadro da rodada anterior do mesmo instituto, que apontava empate técnico de 50% a 50%. O PoderData/Aya, outro levantamento do grupo, também mostra o senador abrindo vantagem. O mercado ainda aguarda a primeira pesquisa Datafolha de segundo turno, não divulgada até o fechamento desta matéria.
Com a pesquisa no radar, o Ibovespa operava em alta de 1,17%, aos 206.696 pontos, por volta das 11h18 (horário de Brasília), com a Petrobras entre os destaques positivos, favorecida pelo petróleo Brent em alta no exterior. O movimento dá sequência à disparada de segunda-feira (5), primeiro pregão após o 1º turno, quando o índice subiu 7,70%, a 206.911,89 pontos, maior alta diária desde 2020, enquanto o dólar recuou 4,12%, a R$ 5,0022.
Por que importa
Pesquisa eleitoral virou variável de precificação de risco-país. O mercado lê a frente de Flávio Bolsonaro como maior probabilidade de ajuste fiscal e agenda liberal na economia, o que reduz o prêmio de risco embutido em juros futuros e no câmbio. É o mecanismo clássico de eleição-como-evento-macro: pesquisa muda, prêmio de risco muda, ativos reagem antes de qualquer decisão de política econômica ser, de fato, tomada.
Esse movimento local ocorre em meio a um pano de fundo externo mais apertado: o juro da Treasury de 10 anos dos EUA voltou a subir nas últimas semanas, para a casa de 5,24%, à medida que o mercado reduz apostas de novos cortes do Fed. Normalmente isso pressiona fluxo para emergentes — mas hoje o catalisador eleitoral doméstico fala mais alto que o externo.
Quem reage
O Ibovespa (replicado pelo BOVA11) segue sustentando os ganhos da semana, com Petrobras como vetor principal diante do petróleo mais caro. A reação é mais contida que a de segunda-feira, o que é coerente: a pesquisa de hoje confirma uma tendência já precificada, não surpreende com um resultado invertido. O real, que havia se valorizado com força na segunda, opera com menor volatilidade nesta quinta, num sinal de que o mercado aguarda a pesquisa Datafolha antes de reforçar posições.