O fato
O índice de preços PCE — a medida de inflação preferida do Federal Reserve — subiu 0,3% em agosto ante julho, levando a taxa anualizada a 3,4%, divulgado nesta quarta-feira (30/09) pelo Departamento de Comércio dos EUA. O número veio abaixo dos 3,7% que o mercado esperava e também abaixo dos 3,7% registrados no mês anterior. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e 3% em 12 meses.
Antes da divulgação, o mercado vinha precificando um retorno do Fed ao ciclo de alta de juros — probabilidade que caíra de 71% para 49% nas 48 horas anteriores ao dado, à medida que cresciam as apostas em um banco central americano mais cauteloso.
Por que importa
O PCE é o termômetro que o Fed usa para decidir juros — mais peso do que o CPI. Uma leitura abaixo do esperado tira pressão para uma postura mais dura da autoridade monetária americana e reduz o prêmio de risco embutido nos títulos do Tesouro dos EUA. Juros americanos mais baixos encarecem o dólar globalmente frente a moedas emergentes e tornam os ativos de risco — ações, especialmente em mercados emergentes — relativamente mais atrativos, porque a alternativa "livre de risco" em dólar rende menos.
Para o Brasil, o efeito é direto: menor pressão de juros lá fora reduz o custo de rolagem da dívida externa, alivia a curva de juros doméstica e tende a atrair fluxo para a bolsa local.
Quem reage
Os juros dos Treasuries de 10 anos recuaram para cerca de 5,22%, cerca de 4 pontos-base abaixo do fechamento anterior, revertendo de uma máxima desde 2007. No Brasil, o Ibovespa operava em alta de 1,22% por volta das 9h45, recuperando o patamar de 186,2 mil pontos, com o contrato futuro avançando 1,75%, a 188.240 pontos — o índice caminha para fechar setembro com ganho acumulado de 3,6%. Na ponta translada para ETFs, o movimento favorece o BOVA11, que replica o Ibovespa.