O fato
O relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll) divulgado nesta sexta-feira (2) mostrou a criação de apenas 29 mil vagas de trabalho em setembro, bem abaixo das 90 mil esperadas por economistas consultados pela Reuters. A taxa de desemprego subiu para 4,2%, acima da projeção de estabilidade em 4,1% pelo terceiro mês consecutivo. O salário médio por hora avançou 0,13% no mês, a US$ 37,81, com alta de 3,02% em 12 meses — abaixo do consenso de 3,1%. Os números de agosto e julho também foram revisados para baixo: agosto passou a 133 mil vagas e julho virou perda de 10 mil postos.
Por que importa
O Federal Reserve vinha sob pressão para elevar juros em outubro diante da inflação puxada pela alta do petróleo desde a escalada do conflito no Oriente Médio. Um mês atrás, o mercado dava apenas 55% de chance de manutenção da taxa na reunião de outubro. Com a desaceleração do mercado de trabalho confirmada hoje, essa aposta em pausa saltou para 79,6%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Menos vagas, desemprego maior e salários mais fracos reduzem a pressão de demanda sobre os preços — o argumento que o Fed precisa para não apertar ainda mais as condições financeiras, mesmo com o choque de oferta vindo do petróleo.
Quem reage
O dólar abriu em alta, inverteu para queda no momento da divulgação do payroll e voltou a subir: por volta de 10h40, operava com alta de 0,19%, a R$ 5,230 na venda. O Ibovespa chegou a esta sexta-feira sustentado pelo fechamento de quinta, quando avançou 0,46% e encostou nos 187.197 pontos, com Petrobras entre os destaques positivos — reflexo do Brent, que fechou ontem em alta de 4,37%, a US$ 102,31, e hoje recua para perto de US$ 99,80. Na ponta de ETFs da B3, o movimento favorece ativos ligados a juros americanos mais baixos por mais tempo, caso do IVVB11 (S&P 500) e do NASD11 (Nasdaq), enquanto o BOVA11 segue mais sensível ao câmbio e ao petróleo do que ao payroll em si.