O que move os mercados nesta manhã
A manhã desta terça-feira (25) é marcada por dois movimentos opostos: fuga para o ouro e liquidação em chips na Ásia. O metal fechou perto de US$ 4.677 por onça, maior nível desde maio e alta acumulada de mais de 15% só em agosto, com o índice do dólar perto de 98,7, próximo da mínima desde meados do mesmo mês. Do lado oposto, a Kospi (Coreia do Sul) recuou mais de 3%, com Samsung e SK hynix caindo entre 3% e 4%, em nova onda de vendas em semicondutores às vésperas do balanço da Nvidia. O Nikkei fechou em baixa de 0,8%, a 64.980 pontos.
Como fechou o último pregão
Wall Street encerrou ontem (24) em pregão misto, com o S&P 500 pressionado pela mesma leva de vendas em chips. Por aqui, o Ibovespa subiu 0,51%, a 171.906 pontos, puxado pela alta de Vale — cerca de 11% do peso do índice — com Yduqs na liderança individual (+12,8%). O dólar fechou em R$ 5,14. Os juros de 10 anos dos Treasuries recuaram a 4,71%, revertendo dois pregões de alta, com o mercado já de olho em Jackson Hole. No petróleo, Brent e WTI caíram 2,35% cada, a US$ 92,17 e US$ 85,01, respectivamente — queda que ocorreu apesar da ampliação de sanções dos EUA contra o Irã, sinal de que a oferta segue confortável.
Agenda do dia
No Brasil, saem a Sondagem do Consumidor (FGV) e o leilão de LFT e NTN-B do Tesouro Nacional. Nos EUA, o calendário de hoje é mais fraco — o grande teste vem amanhã (26), com o PCE (medida de inflação preferida do Fed) e a segunda leitura do PIB do 2º trimestre. Na quinta (27) começa o simpósio de Jackson Hole, com discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, marcado para sexta (28) — sua primeira aparição no evento desde que assumiu o posto, em maio, no lugar de Jerome Powell. Com a inflação americana ainda em 3,4% ao ano, o mercado precifica cerca de um terço de chance de o Fed subir — não cortar — os juros em setembro.
A leitura para o portfólio
O viés da manhã é misto: aversão a risco pontual em tecnologia asiática, mas apetite por proteção via ouro e futuros positivos em Nova York. Na abertura, o movimento tende a pressionar ETFs ligados a semicondutores e Nasdaq, como o NASD11, enquanto o GOLD11 deve repercutir a força do metal. O IVVB11 tende a abrir em linha com os futuros positivos de Wall Street, e o BOVA11 pode seguir sustentado pelo desempenho de Vale e pelo fluxo para emergentes, mesmo com o real estável perto de R$ 5,14. O dado a observar é o discurso de Warsh na sexta: qualquer sinalização sobre juros deve redefinir o apetite por risco até o fim da semana.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.