Ouro bate US$ 4.677 e Ásia recua mais de 3% com venda em chips antes de Jackson Hole
Antes do Pregão

Ouro bate US$ 4.677 e Ásia recua mais de 3% com venda em chips antes de Jackson Hole

O ouro atinge o maior nível desde maio, perto de US$ 4.677 por onça, enquanto a Kospi recua mais de 3% em nova rodada de vendas em chips antes do balanço da Nvidia. Wall Street opera em alta nos futuros desta terça, de olho no discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole.

O que move os mercados nesta manhã

A manhã desta terça-feira (25) é marcada por dois movimentos opostos: fuga para o ouro e liquidação em chips na Ásia. O metal fechou perto de US$ 4.677 por onça, maior nível desde maio e alta acumulada de mais de 15% só em agosto, com o índice do dólar perto de 98,7, próximo da mínima desde meados do mesmo mês. Do lado oposto, a Kospi (Coreia do Sul) recuou mais de 3%, com Samsung e SK hynix caindo entre 3% e 4%, em nova onda de vendas em semicondutores às vésperas do balanço da Nvidia. O Nikkei fechou em baixa de 0,8%, a 64.980 pontos.

Como fechou o último pregão

Wall Street encerrou ontem (24) em pregão misto, com o S&P 500 pressionado pela mesma leva de vendas em chips. Por aqui, o Ibovespa subiu 0,51%, a 171.906 pontos, puxado pela alta de Vale — cerca de 11% do peso do índice — com Yduqs na liderança individual (+12,8%). O dólar fechou em R$ 5,14. Os juros de 10 anos dos Treasuries recuaram a 4,71%, revertendo dois pregões de alta, com o mercado já de olho em Jackson Hole. No petróleo, Brent e WTI caíram 2,35% cada, a US$ 92,17 e US$ 85,01, respectivamente — queda que ocorreu apesar da ampliação de sanções dos EUA contra o Irã, sinal de que a oferta segue confortável.

Agenda do dia

No Brasil, saem a Sondagem do Consumidor (FGV) e o leilão de LFT e NTN-B do Tesouro Nacional. Nos EUA, o calendário de hoje é mais fraco — o grande teste vem amanhã (26), com o PCE (medida de inflação preferida do Fed) e a segunda leitura do PIB do 2º trimestre. Na quinta (27) começa o simpósio de Jackson Hole, com discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, marcado para sexta (28) — sua primeira aparição no evento desde que assumiu o posto, em maio, no lugar de Jerome Powell. Com a inflação americana ainda em 3,4% ao ano, o mercado precifica cerca de um terço de chance de o Fed subir — não cortar — os juros em setembro.

A leitura para o portfólio

O viés da manhã é misto: aversão a risco pontual em tecnologia asiática, mas apetite por proteção via ouro e futuros positivos em Nova York. Na abertura, o movimento tende a pressionar ETFs ligados a semicondutores e Nasdaq, como o NASD11, enquanto o GOLD11 deve repercutir a força do metal. O IVVB11 tende a abrir em linha com os futuros positivos de Wall Street, e o BOVA11 pode seguir sustentado pelo desempenho de Vale e pelo fluxo para emergentes, mesmo com o real estável perto de R$ 5,14. O dado a observar é o discurso de Warsh na sexta: qualquer sinalização sobre juros deve redefinir o apetite por risco até o fim da semana.

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