O fato
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elevou nesta quarta-feira, 23 de setembro, a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 para 2,0%, ante os 1,6% estimados em junho — revisão de 0,4 ponto percentual para cima. Para 2027, porém, a entidade reduziu a expectativa de 2,1% para 1,9%. O ritmo brasileiro segue abaixo da média global projetada pela organização, de 2,9% em 2026 e 3,0% em 2027.
Por que importa
A OCDE credita parte da melhora ao afrouxamento monetário em curso: desde março, o Banco Central já cortou a Selic de 14% para 13,75%, e a entidade prevê que os cortes continuem à medida que a inflação perca força, sustentando o crescimento. Mas o relatório é cauteloso quanto a 2026: o investimento deve perder fôlego, pressionado por juros ainda altos, incerteza global e tarifas dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. Mercado de trabalho apertado, salários em alta e déficit fiscal seguem pressionando preços — o que pode obrigar o Copom a manter uma postura restritiva por mais tempo do que o precificado hoje pelo mercado (Focus projeta Selic em 13,50% ao fim de 2026). No radar global, a OCDE cita riscos adicionais: um El Niño mais forte pressionando alimentos, alta prolongada dos juros de longo prazo, possível decepção com os investimentos em inteligência artificial e uma interrupção mais longa das exportações do Oriente Médio.
Quem reage
O Ibovespa opera perto dos 188 mil pontos por volta do meio-dia, em leve alta ante o fechamento de terça, quando encerrou em 187.422 pontos. O dólar comercial opera a R$ 5,13, alta de cerca de 0,6% frente aos R$ 5,10 da véspera, pressionado também pela proximidade do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, e por sinalizações do Banco Central. Para quem acessa o mercado local via ETF, a leitura passa pelo BOVA11, que replica o Ibovespa; a postura ainda cautelosa do Federal Reserve nos EUA — que segue o desenrolar das tensões no Oriente Médio antes de comprometer novos cortes — mantém relevante o como termômetro do apetite por risco global.