O fato
Wall Street fechou a semana nesta sexta-feira (16/10) sob pressão do temor crescente com o financiamento da inteligência artificial. O S&P 500 caiu 1,1%, a 7.659 pontos, na pior semana desde janeiro. O Nasdaq recuou cerca de 2,2%, no pior desempenho semanal desde junho, enquanto o Dow Jones cedeu 0,34%, a 52.002 pontos. O índice de semicondutores da Filadélfia caiu 2,5% e somou o oitavo pregão consecutivo de perdas. No centro da desconfiança está a CoreWeave, provedora de infraestrutura de nuvem para IA: as ações da empresa caíram 12% só na sexta e acumulam queda de cerca de 25% em cinco pregões, com os bônus da companhia negociando a rendimentos acima de 15% ao ano.
Por que importa
O mercado passou a questionar se as empresas que tomaram dívida pesada para construir data centers de IA — caso da CoreWeave, que soma mais de US$ 17 bilhões em obrigações — vão gerar caixa suficiente para honrar essas dívidas. É o mesmo mecanismo que turbinou o rali de tecnologia nos últimos dois anos: capital barato financiando capacidade computacional. Quando o crédito fica mais caro e os investidores olham com lupa para o retorno desse investimento, o risco migra do equity para o balanço — e, junto com ele, a volatilidade. A reprecificação ocorre num momento em que o rendimento do Treasury de 10 anos está perto de 5,1%, pressionado pelo petróleo acima de US$ 110 o barril, o que encarece ainda mais o refinanciamento dessas dívidas.
Como a semana fechou
No Brasil, o Ibovespa fechou a sexta-feira em alta de 0,54%, encerrando uma sequência de três pregões de perdas, mas acumulou queda de 1,74% na semana — reflexo direto da aversão a risco em tecnologia global, setor com peso relevante em fundos e ETFs ligados a bolsas americanas, como o NASD11 e o . O dólar fechou a semana em alta de , a . Na ponta oposta, o ouro, termômetro de aversão a risco, subiu na sexta, para a onça — movimento que se traduz no Brasil pelo . O índice do dólar americano (DXY) recuou , para , mesmo com a fuga de ativos de risco, sinal de que a busca por proteção passou por treasuries e ouro, não necessariamente pela moeda americana.