O fato
Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, afirmou nesta quinta-feira (1º) que ainda não sabe até onde os juros americanos precisarão subir e que a autoridade monetária fará "o que for necessário" para levar a inflação de volta à meta de 2%. A fala vem um dia depois de o Fed elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano — a primeira alta de juros nos EUA em três anos, revertendo o ciclo de cortes. Kashkari destacou a "grande distância" entre o rendimento do Treasury de 2 anos e os juros de curto prazo, disse que o mercado "não é tímido" ao precificar suas apostas, e citou desemprego em 4,1% como sinal de mercado de trabalho saudável, sem "espiral de preços e salários". O rendimento do Treasury de 10 anos fechou a quarta-feira em 5,29%, o maior nível desde 2007.
Por que importa
O recado é de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos — justo quando o Banco Central caminha na direção oposta: o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, na mesma quarta-feira. Ciclos de política monetária descolados entre a maior economia do mundo e o Brasil encarecem o financiamento externo, reduzem o apetite por risco em emergentes e pressionam o câmbio — o mecanismo clássico de fuga para a qualidade quando o retorno dos títulos americanos sobe sem que o risco dos EUA aumente na mesma proporção. Pelo FedWatch, do CME Group, o mercado já precifica cerca de 90% de chance de ao menos mais uma alta de juros nos EUA até dezembro.
Quem reage
Nesta quinta, o Ibovespa opera sem direção definida: chegou a subir 0,59%, a 187.436 pontos, no início do pregão, mas perdeu força com a piora das bolsas americanas e a queda de mais de 1% em Vale, operando perto da estabilidade por volta das 11h13 (+0,01%, a 186.229 pontos) — tradução prática via . O dólar sobe à máxima de no mercado comercial, após abrir a R$ 5,174, com o investidor também de olho no primeiro turno da eleição presidencial de domingo (4/10). Lá fora, o apetite por risco encolheu com a alta dos yields, pesando sobre os índices americanos — exposição que chega ao investidor local via .