O que ficou da semana
O Ibovespa fechou a sexta-feira aos 185.229 pontos, com queda de 0,41% no dia e recuo semanal de 1,06% — a primeira semana negativa depois de quatro seguidas em alta. O dólar avançou a R$ 5,1442 (+0,37% na semana), pressionado pelo noticiário eleitoral e fiscal. Nos Estados Unidos, o S&P 500 subiu apenas 0,05% e o Nasdaq 0,39%, movimento contido pela decisão mais dura do que o esperado do Federal Reserve: na quarta-feira, o Fed elevou os juros em 25 pontos-base, para 3,75%-4%, primeira alta em mais de três anos, por unanimidade (12-0), citando inflação pressionada pela disparada do petróleo. No mesmo dia, em direção oposta, o Copom cortou a Selic pela quinta vez seguida, a 13,75% ao ano. O Brent, motor por trás da virada do Fed, chegou a furar US$ 109 na semana em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã e ao fechamento temporário de um oleoduto saudita.
A agenda que importa
Terça (22), 8h: o Banco Central publica a ata do Copom, com o mercado atrás de sinais sobre o espaço para cortes adicionais depois que a autoridade evitou se comprometer com novembro. Quinta (24), 8h e 9h: saem o Relatório de Política Monetária e o IPCA-15 de setembro, com projeção de alta mensal de 0,55% — termômetro direto da distância até a meta de inflação. Nos EUA, os PMIs preliminares de setembro saem na quarta (23) e vão dizer se a atividade resiste ao aperto monetário recém-anunciado; na sexta (25), pedidos de bens duráveis e a leitura final da confiança do consumidor de Michigan fecham a semana.
Os temas em aberto
A divergência entre bancos centrais é o tema central: o Fed voltou a subir juros pela primeira vez desde antes da pandemia, enquanto o Copom segue cortando — um descolamento que tende a manter o dólar sustentado e a testar o fluxo para ativos brasileiros. No front eleitoral, o Datafolha de 1º-2/9 mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% num eventual segundo turno, dentro da margem de erro, mantendo o prêmio de risco político nos preços. E o conflito Estados Unidos-Irã segue como variável de cauda: qualquer nova escalada tende a repassar via petróleo para a inflação global e para a régua de juros americana.