Juro de 30 anos dos EUA vai a 5,31% — maior nível desde 2007 — e derruba bolsas na Ásia
Antes do Pregão

Juro de 30 anos dos EUA vai a 5,31% — maior nível desde 2007 — e derruba bolsas na Ásia

O rendimento do Treasury de 30 anos fechou ontem em 5,31% ao ano, maior nível desde 2007, pressionado pela alta do petróleo e por temores fiscais nos EUA. O movimento contaminou a Ásia nesta manhã, com o Kospi caindo 5,80%, e mantém o Ibovespa na décima sessão seguida de perdas, véspera da ata do Fed.

O que move os mercados nesta manhã

A Ásia fechou majoritariamente no vermelho nesta quarta-feira, no rastro do juro de 30 anos dos EUA a 5,31% ao ano — o maior nível desde 2007 — e de uma nova rodada de aversão a ações ligadas à inteligência artificial. O Kospi (Coreia do Sul) liderou as perdas, com tombo de 5,80%, a 6.471 pontos. O Nikkei (Japão) recuou 3,16%, a 65.326 pontos, menor nível em duas semanas. Só Hong Kong escapou do movimento: o Hang Seng subiu 0,09%, a 25.495 pontos.

Na Europa, os primeiros negócios também operam no negativo: DAX (Alemanha) e CAC 40 (França) recuam 0,8% cada, e o FTSE MIB (Itália) cai 1%. O bund alemão de 10 anos subiu a 3,25% ao ano, maior nível em 15 anos. Único a escapar da pressão, o FTSE 100 britânico avança 0,07%.

O petróleo segue como fio condutor da aversão a risco: o Brent opera perto de US$ 91 o barril e o WTI em torno de US$ 84, depois de expirar sem acordo o prazo de 60 dias dado pelos EUA ao Irã. O ouro cede para US$ 4.394 a onça, pressionado pelo dólar mais forte.

Como fechou o último pregão

Wall Street fechou ontem no terceiro pregão seguido de perdas: o Nasdaq caiu 1,33%, a 26.289 pontos; o S&P 500 recuou 0,69%, a 7.691 pontos; o Dow Jones cedeu 0,22%, a 53.343 pontos. O movimento foi puxado pela disparada dos juros longos e pelo desconforto com a valorização acumulada das ações de IA.

O Ibovespa também fechou em queda, a 166.784 pontos (-0,09%), na décima sessão seguida no negativo — a maior sequência de perdas em mais de três anos. Pesam sobre a bolsa brasileira a fuga de capital estrangeiro em ano eleitoral, o petróleo em alta, riscos fiscais domésticos e o novo tarifaço dos EUA. O dólar fechou perto de R$ 5,22.

Agenda do dia

O evento central é a ata da reunião de julho do Federal Open Market Committee (FOMC), divulgada às 15h (horário de Brasília). O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% naquela reunião; o mercado busca pistas sobre se o corte fica mesmo para depois de setembro diante da inflação ainda pressionada. No Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne amanhã.

A leitura para o portfólio

O quadro da manhã é de aversão a risco: juros longos em máximas de quase duas décadas, petróleo pressionado pela tensão com o Irã e ações de IA sob desconfiança. Isso tende a pesar sobre o BOVA11 na abertura, que carrega o peso de dez pregões seguidos de perdas, e sobre IVVB11 e NASD11, que replicam o desconforto de Wall Street com os juros longos. Já o GOLD11 pode não repetir o padrão defensivo de outras crises: o ouro cede junto com o dólar forte, mesmo com a tensão geopolítica em aberto. O dado a observar hoje é a ata do Fed à tarde — qualquer sinal sobre o ritmo dos cortes de juros deve dar o tom do fechamento.

---
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.

Este conteúdo é produzido pela FinFocus Research (Solis Research Ltda · CNPJ 57.134.270/0001-02), credenciada pela APIMEC sob o nº 261 e autorizada pela CVM (Res. 20/2021). Não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.