Irã endurece exigências no Ormuz, petróleo sobe a US$ 87 e Ásia fecha em alta de até 2,2%
Antes do Pregão

Irã endurece exigências no Ormuz, petróleo sobe a US$ 87 e Ásia fecha em alta de até 2,2%

Impasse entre Irã e EUA sobre o Estreito de Ormuz mantém o petróleo pressionado e o ouro perto de recorde nesta manhã, enquanto a Ásia fecha em alta puxada pelo Nikkei. No Brasil, ata do Copom e IPCA de julho definem o tom da abertura.

O que move os mercados nesta manhã

O impasse entre Irã e Estados Unidos sobre a reabertura do Estreito de Ormuz segue no centro das atenções. Autoridades iranianas endureceram as condições para um acordo no fim de semana, reduzindo a chance de destravar o fluxo pela rota que já respondeu por cerca de 20% do transporte marítimo global de petróleo. O Brent para outubro opera perto de US$ 87,72 por barril nesta manhã, após subir quase 5% na sessão anterior. Na Ásia, o Nikkei fechou em alta de 2,22%, aos 66.970 pontos, puxado por Recruit Holdings (+22,79%); Hang Seng subiu 1,05%, Xangai avançou 0,67% e o Kospi teve alta de 0,65%, impulsionado pelo anúncio de investimento de cerca de 54 trilhões de wons da SK Hynix em novas fábricas de chips. Na Europa, a abertura é mista, com o mercado ainda absorvendo o payroll fraco dos EUA. O euro segue firme, cotado a 1,156 dólar. Os futuros de Nova York indicam viés positivo: E-mini S&P 500 sobe cerca de 0,1% e Nasdaq 100 avança perto de 0,4%.

Como fechou o último pregão

O Ibovespa recuou 0,19% ontem, aos 172.179 pontos, menor nível desde julho, pressionado pela cautela externa mesmo com Vale e petroleiras amenizando as perdas. O dólar subiu 0,53%, a R$ 5,11. Em Nova York, o dia foi de leve correção: o Dow Jones caiu 0,11%, a 53.975,98 pontos; o S&P 500 recuou 0,06%, a 7.753,11 pontos, perto do recorde de sexta-feira; e o Nasdaq cedeu 0,32%, a 26.605,36 pontos, com Nvidia e Apple entre as maiores quedas. O ouro futuro para outubro fechou perto de US$ 4.385 por onça, próximo de máximas históricas, refletindo a busca por proteção diante da tensão geopolítica.

Agenda do dia

Às 8h, o Banco Central divulga a ata do Copom da reunião de 4 e 5 de agosto, quando a Selic foi cortada em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano — o mercado vai buscar sinais sobre o ritmo dos próximos movimentos. Às 9h, o IBGE publica o IPCA de julho. Nos Estados Unidos, às 11h, saem os dados de vendas de casas usadas. No radar da semana, o CPI americano deve ser o próximo grande teste para as apostas de juros: após o payroll de julho mostrar perda de 23 mil vagas e revisões negativas de 103 mil nos dois meses anteriores, o mercado reduziu a aposta de alta de juros do Fed em setembro — pela CME FedWatch, a chance de manutenção subiu de 45% para 55,9%, com o próximo movimento migrando para outubro.

A leitura para o portfólio

O tom da manhã é de cautela seletiva: alta de commodities sensíveis à geopolítica convive com um mercado de ações que ainda sustenta níveis próximos de recorde em Nova York. A pressão do petróleo tende a favorecer o desempenho esperado de fundos ligados à energia na abertura, enquanto o apetite por proteção mantém o GOLD11 como referência para quem observa o fluxo para ouro. Do lado da renda variável, o viés positivo dos futuros americanos pode sustentar o IVVB11 e o NASD11 na abertura, mas o câmbio pressionado — dólar acima de R$ 5,11 — e a ata do Copom de hoje são as variáveis locais que devem calibrar o comportamento esperado do BOVA11. Small caps (SMAL11) seguem mais expostas à sensibilidade a juros domésticos, tema que ganha novos contornos com o IPCA de julho às 9h.

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