O IPCA de setembro veio em 0,82%, bem acima dos 0,73% esperados pelo mercado, e levou a inflação em 12 meses a 4,58%. Ainda assim, o Ibovespa opera perto de máxima histórica e os juros futuros recuam: o mercado não abandonou a aposta em corte da Selic na reunião de novembro.
O fato
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, divulgou o IBGE nesta sexta-feira (9/10). O número veio acima da mediana de 0,73% apurada em pesquisa da Reuters com o mercado e reverteu a deflação de -0,32% registrada em agosto. No acumulado em 12 meses, a inflação oficial chegou a 4,58%; no ano, a alta soma 3,95%.
O grupo Transportes liderou o resultado, com avanço de 0,89%, impulsionado pelas passagens aéreas (+9,66%) e pelos combustíveis, que subiram em conjunto 1,41% — etanol +3,16%, diesel +1,69% e gasolina +1,21%.
Por que importa
A composição do índice é o que separa um dado ruim de um dado alarmante. Passagem aérea e combustível são itens voláteis, ligados a sazonalidade e a oscilações pontuais de petróleo e câmbio — não à inflação de serviços, que é a que o Banco Central mais monitora por ser mais persistente. É por isso que a surpresa não se traduziu, até agora, em reversão nas apostas de juros.
O Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano em setembro e não se reúne em outubro — a próxima decisão é em 3 e 4 de novembro. Um IPCA mais alto reduz a margem de manobra do comitê, mas o mercado de apostas Polymarket ainda precificava, nesta sexta, 89,5% de chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual em novembro. O recado é que o núcleo da inflação, mais do que o índice cheio, continua sendo o fiel da balança para o ciclo de juros.