O fato
O IPCA-15 de setembro veio acima do esperado, com alta de 0,70% no mês, e esfriou a aposta de um sexto corte seguido da Selic em novembro. A ata do Copom, divulgada em 22 de setembro, confirmou o quinto corte consecutivo — a taxa básica caiu de 14,00% para 13,75% ao ano na reunião de 16/09 —, mas manteve a decisão "reunião a reunião", sem sinalizar o próximo passo. Nesse cenário, o Ibovespa fechou a sexta-feira, 25/09, aos 183.476,86 pontos, com queda de 0,27% no dia e 0,95% na semana — a segunda perda semanal seguida, após recuo de 1,06% na semana anterior. O dólar encerrou a sexta a R$ 5,181, leve baixa de 0,23%.
Por que importa
O mecanismo é direto: inflação de serviços ainda resistente encontra juros americanos que seguem elevados, reduzindo o diferencial de juros entre Brasil e EUA e o apetite por fluxo para mercados emergentes. O próprio governo revisou, no Boletim Macrofiscal de 22/09, a projeção de PIB para 2026 de 2,3% para 2,0% — efeito da política monetária ainda restritiva —, e cortou a estimativa de IPCA de 5,1% para 4,9%, número que segue acima do teto da meta, de 4,5%. Com o IPCA-15 surpreendendo para cima nesta semana, o mercado de opções que antes via corte de novembro como favorito passou a dividir apostas entre novo recuo de 0,25 p.p. e pausa — o Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.
Como a semana fechou
Juros mais altos nos EUA seguiram puxando capital para ativos americanos: o Dow Jones fechou sexta em alta de 0,93%, a 51.828,62 pontos, e o Nasdaq subiu 0,48%, a 27.068,72 pontos — movimento que se traduz, para o investidor brasileiro, em força relativa de um ETF como o IVVB11 frente ao BOVA11, que replica um Ibovespa em sua segunda semana negativa seguida. O petróleo caiu mais de 3,5% na semana, pressionando Petrobras, Vibra Energia e Ultrapar, setor com peso relevante no índice local. No acumulado de 2026, o Ibovespa ainda sobe 13,87%.