O fato
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,6% em setembro, em linha com a expectativa, mas a taxa anual acelerou para 3,7% — acima da projeção de 3,6% —, segundo dado divulgado hoje pelo Bureau of Labor Statistics. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, também acima do esperado pelo mercado. O principal motor foi a energia: a gasolina subiu 9,1% no mês, respondendo por mais da metade da alta do índice geral.
Por que importa
Inflação resistente muda o cálculo do Federal Reserve. Até a semana passada, o mercado via o próximo movimento do banco central americano como um corte de juros. Com o núcleo surpreendendo para cima, as apostas viraram: contratos futuros já embutem cerca de 85% de probabilidade de que a taxa básica dos EUA esteja mais alta em dezembro do que está hoje, e não mais baixa. A reunião do Fed está marcada para 27 e 28 de outubro. Juro americano mais alto significa dólar mais forte globalmente, Treasuries mais atrativos frente a ativos de risco e um fluxo de capital que tende a sair de mercados emergentes — Brasil incluído.
Quem reage
O Ibovespa operava em queda de 1,31%, aos 204.170 pontos, por volta das 10h10 desta quarta — movimento que se soma ao recuo de 1,04% da véspera. Para quem acompanha o índice via BOVA11, a sessão reforça a reversão após as máximas históricas da semana passada. O dólar subia 0,51%, a R$ 5,046, pressionado pela leitura de juro mais alto nos EUA e também pelo radar eleitoral do segundo turno no Brasil. No exterior, o setor de tecnologia — replicado em ETFs como o NASD11 — tende a ser o mais sensível a juros futuros mais altos, por concentrar empresas de crescimento com fluxo de caixa mais distante no tempo. Exposições em dólar, como o IVVB11, seguem se beneficiando do câmbio mais depreciado no real.