O fato
O IGP-M subiu 1,57% em setembro, informou a FGV nesta terça-feira (29), acima da mediana de 1,54% projetada pelo mercado no Projeções Broadcast e revertendo a queda de 0,22% registrada em agosto. O índice acumula alta de 3,45% no ano e de 3,34% em 12 meses. A aceleração veio puxada pelo atacado: o IPA-M saltou de -0,34% para 2,08%, enquanto o IPC-M, ao consumidor, passou de -0,41% para 0,50%. Já o INCC, ligado à construção civil, desacelerou de 0,85% para 0,25%.
Por que importa
O IGP-M é o índice mais sensível ao câmbio e aos preços no atacado — funciona como termômetro adiantado de pressões que podem chegar ao consumidor meses depois. A reaceleração acontece 13 dias após o Copom cortar a Selic para 13,75% ao ano, em decisão unânime tomada em 16 de setembro sob a leitura de que a atividade perdia fôlego e a inflação corrente vinha melhorando. Um IGP-M mais forte do que o esperado testa essa leitura antes da próxima reunião do comitê, marcada para 4 de novembro — e faz isso a cinco dias do primeiro turno da eleição presidencial, período em que o mercado já opera com prêmio de risco elevado por conta da indefinição eleitoral.
Quem reage
Por volta das 12h desta terça, o Ibovespa operava em baixa de 0,38%, aos 182,3 mil pontos, pressionado por pesquisas eleitorais que reforçam um cenário de disputa acirrada. O dólar cedia na mesma proporção, cotado a R$ 5,206 — recuo puxado mais pela queda do petróleo no exterior, que alivia parte do temor inflacionário global, do que propriamente pelo dado doméstico de hoje. Na leitura por ETFs, o BOVA11 tende a repetir o movimento lateral do Ibovespa no intradia, enquanto contratos de juros futuros de prazo mais longo são os mais sensíveis: um índice de preços acima do esperado, em semana de risco eleitoral, costuma embutir prêmio adicional nas taxas de DI mais longas.