O fato
A Bolsa brasileira devolve parte do ganho recorde da véspera. Por volta do meio-dia desta terça-feira (6/10), o Ibovespa opera em queda de cerca de 1%, perto dos 205 mil pontos, pressionado por Banco do Brasil (BBAS3), que cai 6% depois de o JPMorgan rebaixar a recomendação do papel de neutro para underweight. Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) também pesam no índice.
O recuo de hoje vem um dia depois de o Ibovespa registrar a maior alta em mais de seis anos: avanço de 7,70%, ganho de 14.797,34 pontos, com fechamento em 206.911,89 pontos — novo recorde nominal. O gatilho foi o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de domingo (4/10): Flávio Bolsonaro terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — a menor diferença entre os dois primeiros colocados desde a redemocratização. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. O dólar segue a mesma toada: opera em queda de 0,66%, cotado a R$ 4,967, após fechar a sessão de segunda-feira a R$ 5,00.
Por que importa
O mercado está precificando risco político, não um dado econômico do dia. Desde a redemocratização, quem lidera o primeiro turno venceu todas as eleições presidenciais — um padrão histórico que reforça, para o investidor estrangeiro, a leitura de que o país pode caminhar para uma troca de governo. Esse tipo de precificação move três variáveis ao mesmo tempo: o prêmio de risco Brasil, que cai e valoriza bolsa e moeda; as expectativas de juros futuros, que recuam com a perspectiva de uma política fiscal mais ortodoxa; e o fluxo de capital estrangeiro, que historicamente entra com força em janelas de mudança política percebidas como mais favoráveis ao mercado. É esse conjunto — não o calendário de indicadores — que explica por que a reação de ontem foi tão desproporcional a qualquer dado macro divulgado na semana.