Ibovespa fecha a semana em recorde e dólar tem maior queda pós-1º turno desde 1994
Como a semana fechou
A Bolsa brasileira encerrou a semana no maior nível de sua história. Na sexta-feira, 9 de outubro, o Ibovespa fechou em alta de 1,38%, aos 209.066,90 pontos — novo recorde de fechamento —, com ganho acumulado de cerca de 8,9% na semana. O dólar seguiu na direção oposta: fechou sexta cotado a R$ 4,985, queda de 0,79% no dia e de 4,43% na semana, a maior retração semanal depois de um primeiro turno eleitoral desde 1994.
Por que importa
O gatilho foi o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro: Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT). Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro, e pesquisas divulgadas na semana — Datafolha (49% a 45%), AtlasIntel (51,1% a 45,7%) e PoderData/Aya (53% a 47%) — mostram o senador na liderança, embora BTG Pactual/Nexus aponte empate técnico. O mercado precifica a hipótese de um governo mais alinhado à agenda fiscal, e isso aparece na curva de juros: contratos de DI de prazo mais longo, como o de janeiro de 2031, recuaram de patamares próximos de 14% para 12,85% ao longo da semana — um recuo de mais de 100 pontos-base que reduz o custo de financiamento de dívida e turbina o valuation de ações domésticas.
O que fica para o investidor
A reação de mercado embute uma eleição que ainda não acabou. O ajuste nos preços de ativos — Bolsa em recorde (equivalente a exposição via BOVA11), real mais forte e juros futuros em queda — reflete expectativa, não resultado consumado, e analistas como Marco Saravalle (Krivo Capital) alertam que a sustentabilidade do movimento depende de como a pauta fiscal avançar de fato no Congresso eleito. Para quem acompanha o portfólio, a abertura de segunda-feira tende a continuar reagindo ao fluxo de pesquisas eleitorais e a declarações de ambos os candidatos sobre política econômica — e qualquer sinalização de instabilidade na disputa deve ser monitorada como fator de reversão da volatilidade cambial e da curva de juros até 25 de outubro.