O fato
O IBC-Br, indicador antecedente do PIB calculado pelo Banco Central, avançou 0,30% em agosto frente a julho, acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,2%. O dado, divulgado nesta sexta-feira (16/10), chega em um pregão de recuperação: o Ibovespa opera em alta de 0,80%, aos 205.960 pontos, por volta do meio-dia, revertendo parte da queda de 1,06% registrada na quinta-feira (15/10), quando o índice fechou em 204.324 pontos. O dólar, que subiu 1,15% ontem e fechou a R$ 5,08, cede nesta manhã e opera perto de R$ 5,07.
Por que importa
A reação do mercado nos últimos dias tem menos a ver com fundamentos econômicos e mais com risco político. Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada em 13/10 mostrou Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno — 48% a 45% no total, 52% a 48% nos votos válidos —, dentro da margem de erro, mas revertendo o cenário de duas semanas antes, quando Lula liderava por 46% a 44%. Uma virada de intenção de voto a 9 dias da eleição, marcada para 25/10, tende a elevar o prêmio de risco e a volatilidade — efeito que ofuscou um dado de atividade econômica real mais forte que o esperado. A leitura da bolsa muda de sinal conforme o candidato que o mercado associa a uma agenda fiscal mais rígida, e isso tem pesado mais que indicadores de PIB nas últimas sessões.
Quem reage
Com o Ibovespa testando recuperação acima dos 205 mil pontos, o BOVA11 — ETF que replica o índice na B3 — acompanha o movimento de alta intradiária, depois de refletir a queda de 1,06% na véspera. No exterior, o apetite por risco segue mais estável, com o IVVB11 (S&P 500) e o NASD11 (Nasdaq) menos sensíveis ao ruído eleitoral brasileiro. O real continua sendo o ativo mais exposto à disputa presidencial: a moeda ensaia alívio hoje, mas segue mais depreciada do que no início do mês, acompanhando o aperto da corrida.