O fato
O governo prorrogou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, evitando que o benefício caducasse neste sábado (26/09). O Ministério da Fazenda assinou a portaria na sexta-feira (25), horas antes do vencimento da medida provisória original, que garantia R$ 1,12 por litro — somados a outra subvenção de R$ 1 anunciada no início de setembro. Segundo o governo, a extensão se justifica pela "persistência da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis".
Por que importa
O mecanismo é direto: o diesel move o transporte de cargas do país, e seu preço pressiona o custo de quase tudo que chega ao consumidor, do frete ao alimento na prateleira. Manter a subvenção represa parte do repasse de uma commodity ainda volátil ao IPCA — item que o próprio governo revisou nesta semana, de 5,1% para 4,9% em 2026. A decisão também ocorre em momento fiscal apertado: a Fazenda já havia congelado R$ 16,1 bilhões do Orçamento de 2026 para travar as metas fiscais, e a projeção de crescimento do PIB caiu de 2,3% para 2%. Sustentar o subsídio tem custo orçamentário, mas o governo optou por segurar o preço às vésperas do ciclo eleitoral, quando qualquer alta de combustível tem efeito político imediato.
Como a semana fechou
O pano de fundo que abriu essa folga veio do mercado internacional de petróleo. Na sexta-feira (25), o Brent para dezembro recuou 2,77%, a US$ 97,44 o barril, e o WTI caiu 2,33%, a US$ 92,41 — movimento puxado por sinais mais concretos de acordo entre Irã e Estados Unidos, que negociam a reabertura do Estreito de Ormuz em prazo de sete dias. No Brasil, o Ibovespa fechou a sexta em queda de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, acumulando perda de 0,95% na semana, pressionado pelo IPCA-15 acima do esperado e pelo radar eleitoral. O dólar terminou a R$ 5,18. Em Nova York, o cenário foi de recuperação: o S&P 500 subiu 0,51%, a 7.743,41 pontos ( na semana); o Dow Jones avançou ( na semana); e o Nasdaq ganhou ( na semana), com o alívio no petróleo amenizando também as preocupações inflacionárias americanas. Na leitura de portfólio, o movimento da B3 aparece em BOVA11, enquanto a força de Wall Street favorece IVVB11 e NASD11.