O fato
O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, mostrou o mercado desistindo de parte dos cortes de juros. A mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, e a de 2027 saltou de 11,75% para 12,50%. A taxa hoje está em 13,75%. O IPCA projetado para 2026 foi de 5,19% para 5,22%; o de 2027, de 4,34% para 4,76%, terceira alta semanal seguida. O dólar esperado para o fim do ano passou de R$ 5,05 para R$ 5,34, e o PIB de 2026 recuou de 1,80% para 1,76%.
A revisão chega no mesmo dia em que o Copom abre a reunião de dois dias. A decisão sai na quarta (4/11), após o fechamento do mercado.
Por que importa
O Focus é a fotografia das expectativas que o Banco Central persegue. Quando a inflação projetada para 2027 sobe três semanas seguidas, o espaço para cortar juros encolhe. A piora vem embalada pela leitura fiscal: depois do resultado do segundo turno, o mercado passou a cobrar mais prêmio para financiar o governo no próximo mandato, e os juros longos subiram com força na semana passada.
O efeito aparece nas apostas. Pelas opções de Copom da B3, a manutenção da Selic em 13,75% concentra cerca de 63% de probabilidade; um corte de 0,25 ponto, perto de 28%. Antes do segundo turno, a maioria esperava corte. A pausa no ciclo de queda virou o cenário-base.
Quem reage
A B3 voltou do feriado de Finados absorvendo tudo de uma vez. O Ibovespa opera em baixa de 1,97%, aos 164.607 pontos, segundo levantamento intradiário do InfoMoney — movimento que bate direto no BOVA11. O dólar comercial sobe para perto de , e os juros futuros avançam.