O fato
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (28/09) pelo Banco Central elevou a projeção de inflação para 2026 de 4,92% para 4,99% — segunda semana seguida de alta e nível bem acima do teto da meta, de 4,5%. Na mesma pesquisa, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,88% para 1,86%, terceira revisão para baixo consecutiva. O mercado mantém a expectativa de mais um corte de juros até dezembro, com a Selic — hoje em 13,75% ao ano, após cinco reduções seguidas do Copom — encerrando o ano em 13,50%. O dólar segue projetado em R$ 5,20 pela 15ª semana consecutiva.
Por que importa
O Focus é a fotografia semanal do que o mercado financeiro espera para a economia, construída a partir das estimativas de mais de cem instituições. Quando a projeção de inflação sobe mesmo com o Banco Central ainda cortando juros, o sinal é de que o espaço para afrouxamento monetário está mais apertado do que parecia há um mês — o corte para 13,50% já embute cautela, não um ciclo agressivo de queda. O IPCA-15 de setembro, em 0,7%, depois da deflação de 0,4% em agosto, reforça a leitura de pressão de preços voltando, num momento em que o PIB perde fôlego pela terceira semana seguida. É a combinação que mais preocupa quem monta portfólio: crescimento mais fraco com inflação mais resistente.
Quem reage
O Ibovespa abriu em queda de 0,77%, aos 182 mil pontos, pressionado pela alta do petróleo em meio ao impasse entre Estados Unidos e Irã e por novas pesquisas eleitorais no Brasil, mas ao longo da manhã reduziu perdas e buscava os 184 mil pontos por volta do meio-dia — para quem acompanha o índice via BOVA11, a sessão reflete a mesma indefinição. O dólar operava perto de R$ 5,20, em alta ante sexta-feira, puxado pela tensão geopolítica e pelo movimento dos Treasuries americanos, cujo rendimento de 10 anos voltou a superar 5%. Lá fora, o Fed segue em compasso mais apertado depois da primeira alta de juros em três anos — o diferencial menor entre juros brasileiro e americano tende a manter o real mais sensível a cada dado novo dos EUA, com reflexo direto em quem tem exposição a .