Nvidia bate estimativas e fatura US$ 96,2 bi, mas atenção vira para discurso de Warsh em Jackson Hole
Antes do Pregão

Nvidia bate estimativas e fatura US$ 96,2 bi, mas atenção vira para discurso de Warsh em Jackson Hole

Balanço da Nvidia supera expectativas e leva Ásia a fechar majoritariamente em alta, mas mercado de chips na China e sinais de desaceleração nas exportações dividem investidores. No radar de hoje, o primeiro discurso de Kevin Warsh como presidente do Fed em Jackson Hole, com juros dos EUA ainda em 3,50%-3,75% em meio a inflação persistente.

O que move os mercados nesta manhã

A Nvidia reportou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre fiscal, acima do consenso de US$ 91,9 bilhões, com lucro líquido de US$ 59,7 bilhões (alta de 126% na comparação anual) e projeção de receita de US$ 108 bilhões para o trimestre atual — também acima das estimativas. A reação inicial no after-hours foi de queda, mas o tom mudou após a CFO Colette Kress sinalizar crescimento de vendas de 70% para o ano fiscal de 2028, e os futuros do Nasdaq 100 sobem cerca de 1% na madrugada.

Na Ásia, o resultado dividiu o mercado: o Nikkei fechou em alta de 0,73%, aos 42.828,79 pontos, e o Kospi avançou 0,29%, aos 3.196,32 pontos, puxado pela SK Hynix (+3,27%). Já o Taiex, de Taiwan, recuou 1,16%, pressionado pela TSMC (-2,52%), diante de sinais de desaceleração nas vendas da Nvidia para clientes chineses em meio às restrições de exportação dos EUA. Em Xangai, o índice Composto subiu 1,14%, beneficiado pelo salto de 15,73% da Cambricon Technologies, rival chinesa que também superou expectativas.

Como fechou o último pregão

O Ibovespa encerrou ontem (26/08) praticamente estável, com alta de 0,01%, aos 174.586,26 pontos — sexto pregão seguido de valorização, sustentado pela deflação de 0,40% do IPCA-15 de agosto. O dólar subiu 0,22% e fechou a R$ 5,1518.

Em Nova York, os três principais índices recuaram levemente na véspera do balanço da Nvidia: o Dow Jones caiu 0,21%, a 53.463,88 pontos; o S&P 500 recuou 0,02%, a 7.675,70 pontos; e o Nasdaq cedeu 0,08%, a 26.130,20 pontos. O petróleo Brent fechou em queda de 0,84%, a US$ 87,84 o barril, refletindo o avanço nas negociações entre Irã e Omã por um corredor provisório no Estreito de Ormuz. O ouro segue perto de máximas, na faixa de US$ 4.620 a onça, com o mercado atento a sinais do Fed. O rendimento da Treasury de 10 anos recuou para a faixa de 4,22%-4,24%, ante 4,64% no início da semana.

Agenda do dia

O evento central da manhã é o Simpósio de Jackson Hole (27 a 29/08), com o primeiro discurso de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, às 10h ET (11h de Brasília). Warsh já sinalizou que pretende discutir produtividade, demografia e a economia global, sem se comprometer com uma sinalização direta sobre corte de juros em setembro — o Fed manteve a taxa em 3,50%-3,75% em julho, decisão que não foi unânime, com três membros defendendo alta de 0,25 ponto. O PCE de julho subiu 0,2% no mês e acumula 3,7% em 12 meses, com o núcleo em 3,3%, mantendo a pressão inflacionária no radar.

No Brasil, o IBGE divulga a PNAD Contínua com a taxa de desemprego de julho, além da Sondagem da Indústria (FGV), o Saldo em Transações Correntes e o Investimento Direto no País. O Tesouro Nacional realiza leilão de NTN-F e LTN.

A leitura para o portfólio

O saldo da manhã é de um viés moderadamente risk-on, puxado pelo alívio com a Nvidia, mas com dispersão setorial relevante entre exportadoras de chips para os EUA e para a China. Para o investidor local, o movimento tende a favorecer o NASD11 na abertura, dado o otimismo com a americana, com efeito mais contido sobre o IVVB11, que replica um S&P 500 que já reagiu com cautela ontem. A queda do petróleo tende a pressionar ETFs ligados a commodities e ao setor de energia, enquanto o recuo dos yields e a deflação do IPCA-15 seguem dando suporte ao fluxo recente para o BOVA11. O discurso de Warsh em Jackson Hole é o evento que pode redefinir o humor do dia: qualquer sinalização sobre os rumos dos juros em setembro tende a mexer tanto no dólar quanto na curva de juros doméstica, com reflexo direto sobre ativos de renda fixa e sobre o SMAL11, mais sensível ao custo de capital interno.

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