Tarifaço e guerra no Oriente Médio: a semana que decide o apetite por risco
Antes do Pregão

Tarifaço e guerra no Oriente Médio: a semana que decide o apetite por risco

A semana traz a decisão da investigação 301 dos EUA contra o Brasil (24/07), que pode elevar o tarifaço a 37,5%, e a 9ª noite consecutiva de ataques entre EUA e Irã, com o Brent a US$ 88,10. Sem Copom ou Fed na agenda, o apetite por risco global segue refém da geopolítica.

O que ficou da semana

O Ibovespa fechou a sexta-feira (17/07) praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 173.714 pontos, mas acumulou perda de 2,33% na semana, pressionado pela aversão a risco global e pela queda das techs americanas. O dólar subiu 0,25%, para R$ 5,1109. Nos EUA, o S&P 500 recuou 1,01%, a 7.457,69 pontos. O petróleo Brent foi na direção oposta: saltou 4,59% na sexta, para US$ 88,10 o barril, refletindo a escalada militar no Oriente Médio.

A agenda que importa

Quarta-feira (22/07) — entra em vigor a tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, além dos resultados do 2T26 de WEG e da Tesla. É o primeiro teste real de como o comércio bilateral absorve a nova alíquota.

Quinta-feira (23/07) — decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE), PMIs preliminares de Alemanha e Zona do Euro, e pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. Termômetro do fôlego da economia europeia e do mercado de trabalho americano.

Sexta-feira (24/07) — sai a conclusão da investigação Seção 301 dos EUA sobre suposto trabalho escravo na cadeia da carne brasileira. O risco: uma tarifa adicional de 12,5% pode se somar aos 25% já em vigor, levando a sobretaxa total a 37,5% sobre parte das exportações do Brasil. Não há reunião do Copom nem do Fed nesta semana.

Os temas em aberto

Guerra Irã-EUA-Israel: os EUA atacaram o Irã pela oitava noite consecutiva no sábado (18/07), incluindo a cidade de Sirik. No mesmo dia, o Irã reivindicou ataques com drones contra bases americanas no Kuwait. Na madrugada de domingo (19/07), o Irã denunciou um ataque dos EUA à usina nuclear em construção de Darkhovin. Teerã suspendeu os compromissos do acordo fechado há um mês, e a escalada — retomada em 7 de julho após o colapso do cessar-fogo — segue sem sinal de trégua.

Tarifaço Brasil-EUA: com a tarifa de 25% já valendo a partir de quarta e a decisão da 301 na sexta, a semana define se o Brasil enfrenta uma sobretaxa efetiva de até 37,5% em parte da pauta exportadora, incluindo carne bovina — cerca de dois terços das exportações brasileiras aos EUA, como café, suco de laranja e aeronaves, seguem isentos.

A leitura para o portfólio

A combinação de petróleo em alta e tarifaço em definição tende a manter a volatilidade elevada na reabertura. No Ibovespa (BOVA11), o setor de energia deve seguir como contrapeso à pressão sobre exportadoras de proteína animal expostas aos EUA. Lá fora, o S&P 500 (IVVB11) e o Nasdaq (NASD11) carregam o desconto da aversão a risco de sexta-feira, com PMIs e a decisão do BCE na quinta como próximos gatilhos para técnicos e cíclicos globais. O ouro (GOLD11) tende a continuar como termômetro da tensão geopolítica enquanto o conflito no Oriente Médio não sinalizar arrefecimento.

---
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.

Este conteúdo é produzido pela FinFocus Research (Solis Research Ltda · CNPJ 57.134.270/0001-02), credenciada pela APIMEC sob o nº 261 e autorizada pela CVM (Res. 20/2021). Não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.