O que move os mercados nesta manhã
O petróleo comanda a manhã. O Brent rompeu a barreira de US$ 90 por barril na virada da noite, abrindo o pregão asiático a US$ 90,26 e tocando máxima de US$ 91,41 — nível mais alto em mais de um mês. O gatilho é o colapso de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã: a noite passada marcou a nona rodada consecutiva de ataques americanos a alvos ligados à capacidade militar iraniana no Estreito de Ormuz, com retaliação do Irã contra bases dos EUA em países aliados do Golfo. Ásia fechou mista — o Kospi avançou 3,3%, puxado pela recuperação de Samsung e SK Hynix em semicondutores, enquanto o Nikkei recuou 0,9%, pressionado por tecnologia e por um iene mais fraco. Na Europa, abertura fraca replicando a cautela de Wall Street. Os futuros de Nova York operam no vermelho: S&P 500 cede cerca de 0,15% e Dow Jones, 0,18%, com o Treasury de 10 anos oscilando perto de 4,55%, refletindo o temor de que o petróleo mais caro realimente a inflação.
Como fechou o último pregão
O Ibovespa encerrou sexta-feira (17/07) praticamente estável, com queda de 0,06%, a 173.714 pontos — mas acumulou perda de 2,33% na semana, pressionado pela aversão a risco global e por temores sobre a bolha de IA em Wall Street. Petrobras segurou o índice: PETR4 subiu 2,53% e PETR3, 2,62%, acompanhando a alta de quase 5% do petróleo no exterior. O dólar fechou em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,1109, refletindo a busca por proteção em meio à escalada no Oriente Médio.
Agenda do dia
O Banco Central divulga o Boletim Focus por volta das 8h30 (BRT), com as novas projeções do mercado para Selic, inflação, câmbio e PIB — termômetro direto para o apetite de risco na abertura. A semana é mais carregada lá fora: o BCE decide juros na quinta-feira, junto com o pedido semanal de seguro-desemprego nos EUA, e os PMIs globais saem na sexta-feira.
A leitura para o portfólio
O viés é de cautela na abertura. Petróleo acima de US$ 90 tende a sustentar o peso de petroleiras no BOVA11, mas o mesmo choque de commodity alimenta o temor inflacionário que pressiona os futuros de Nova York — cenário que tende a limitar o fôlego do índice brasileiro nos primeiros negócios. Do lado internacional, a leitura é mais direta: com S&P 500 e Dow futuros no vermelho e tecnologia sob pressão desde a Ásia, IVVB11 e NASD11 tendem a abrir replicando esse viés negativo. O dólar, apoiado pela fuga para proteção, é o vetor a observar: câmbio mais pressionado eleva o custo de rolagem para quem carrega exposição internacional. O tom da manhã é definido pelo Estreito de Ormuz — qualquer sinal de trégua ou nova escalada nas próximas horas deve mover o apetite a risco antes mesmo da abertura da B3.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.