Kospi cai 6,3%, TSMC bate recorde e tarifa de 25% dos EUA pressiona Ibovespa na abertura
Antes do Pregão

Kospi cai 6,3%, TSMC bate recorde e tarifa de 25% dos EUA pressiona Ibovespa na abertura

Venda maciça em semicondutores derruba as bolsas asiáticas mesmo após lucro recorde da TSMC, futuros de Nova York abrem cautelosos e a tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, confirmada ontem à noite, deve pesar sobre o Ibovespa na abertura.

O que move os mercados nesta manhã

A Ásia amanheceu em modo de realização de lucro nos semicondutores. O Kospi (Coreia do Sul) tomba 6,3%, com Samsung Electronics caindo 6,8% e SK Hynix recuando 9,89%. O Nikkei 225 perde 2,98% e rompe o piso de 67 mil pontos. Só o Hang Seng escapa da onda, com alta de 1,85%.

O gatilho é contraintuitivo: a TSMC, maior fabricante de chips por contrato do mundo, divulgou lucro líquido recorde no segundo trimestre, de US$ 40,2 bilhões em receita (+36% na comparação anual) e lucro 77,4% maior, com a computação de alto desempenho ligada a IA respondendo por 66% do faturamento. Mesmo assim, o mercado vendeu o resultado — sinal de que as valuations do setor já embutiam números fortes, e a região agora reavalia o quanto do rali de IA ainda cabe no preço.

Na Europa, o quadro é misto: Euro Stoxx 50 e Ibex 35 sobem de leve, enquanto DAX, CAC 40 e FTSE 100 operam no vermelho, em meio à tensão no Oriente Médio e ao início da temporada de balanços. Nos futuros de Nova York, o contágio dos chips aparece: S&P 500 futuro cai 0,1%, Nasdaq 100 futuro recua 0,27% e Dow futuro perde 0,08%, com Nvidia (-1,18%), Micron (-2,65%), AMD (-2,27%) e Broadcom (-1,14%) no vermelho no pré-mercado.

Como fechou o último pregão

Em Nova York, ontem foi dia de alta: S&P 500 subiu 0,38%, a 7.572,40 pontos; Nasdaq Composite avançou 0,62%, a 26.269,23 pontos; Dow Jones ganhou 0,29%, a 52.658,64 pontos — impulsionados por um CPI de junho que trouxe o primeiro recuo mensal do núcleo em mais de seis anos.

No Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 0,36%, aos 176.010,90 pontos, giro financeiro de R$ 39,8 bilhões, na contramão de Nova York. O motivo veio à noite: o governo dos EUA confirmou a tarifa adicional de 25% sobre cerca de 4.200 produtos brasileiros (~US$ 15 bilhões em exportações), com carne bovina e café isentos.

O Treasury de 10 anos subiu a 4,56%, maior nível desde meados de maio. O petróleo Brent avança pelo terceiro dia seguido, acima de US$ 85, pressionado pelo conflito entre EUA e Irã. O ouro segue em tendência de queda de curto prazo, e o dólar se mantém firme globalmente.

Agenda do dia

  • 9h00 — Vendas no Varejo do Brasil (IBGE), maio: projeção de +0,5% no mês, após -1,5% em abril.
  • 9h30 — Varejo dos EUA (junho) e pedidos de seguro-desemprego semanal: iniciais projetados em 216 mil.
  • 11h00 — Vendas pendentes de imóveis nos EUA (NAR), junho.
  • 22h00 — Discurso do presidente Donald Trump.

A leitura para o portfólio

A manhã combina dois vieses distintos. Fora do Brasil, o estresse é setorial: tecnologia e semicondutores concentram a pressão vendedora, o que tende a pesar mais sobre o NASD11, mais exposto a nomes como Nvidia e Micron, do que sobre o IVVB11, que replica um S&P 500 com futuros só levemente negativos. No Brasil, o vetor é doméstico — a confirmação da tarifa de 25% tende a pressionar o BOVA11 logo na abertura, com maior sensibilidade em papéis exportadores. O GOLD11 segue sem força mesmo com o pano de fundo geopolítico mais tenso, refletindo a tendência de queda recente do metal.

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