O fato
O Brasil vota hoje, 4 de outubro, no primeiro turno das eleições presidenciais — o evento que o mercado financeiro já tratava como o principal fator de risco do segundo semestre. A pesquisa BTG/Nexus mostra empate técnico entre Lula (40%) e Flávio Bolsonaro (37%), dentro da margem de erro, com a diferença caindo a um ponto num cenário de segundo turno (46% a 45%). Se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos hoje, a disputa vai para um novo turno em 25 de outubro.
No último pregão antes das urnas, sexta-feira (02/10), o Ibovespa fechou em alta de 2,63%, a 192.114 pontos — maior nível de fechamento desde 22 de abril — e acumulou 4,71% na semana. O dólar recuou 0,08%, a R$ 5,216, mas subiu 0,65% no acumulado semanal.
Por que importa
O mercado precifica eleição como risco fiscal, não como torcida partidária: o que pesa é a trajetória da dívida pública e a posição do Brasil na disputa comercial entre Estados Unidos e China, temas que qualquer um dos dois favoritos terá de endereçar a partir de 2027. É por isso que o S&P/B3 Ibovespa VIX — o termômetro de volatilidade implícita da bolsa brasileira — bateu recorde histórico de 33,21 pontos, o maior desde o lançamento do indicador, em março de 2024.
Historicamente, o Ibovespa cai em média 2,2% nos seis meses anteriores ao primeiro turno (série 2006-2022); neste ciclo, chegou a recuar 11,5% até 18 de agosto antes de reverter para a alta recente. A diferença deste ano é que a volatilidade subiu sem o prêmio de retorno que normalmente a acompanha — sinal de que o alívio das últimas semanas reflete leitura de pesquisas, não redução de incerteza real.
Como a semana fechou
Ibovespa (BOVA11): +2,63% na sexta, na semana, aos 192.114 pontos.