O fato
O Ibovespa encerrou a semana em recorde histórico na sexta-feira, 9/10, aos 209.066,90 pontos (+1,38% no dia), acumulando alta superior a 8% desde o primeiro turno das eleições, de 4 de outubro. O dólar caiu para R$ 4,99 (-0,76% no dia), no maior recuo semanal pós-primeiro-turno desde 1994. O movimento acompanha a pesquisa Datafolha divulgada em 8/10, que mostrou Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto no segundo turno contra 45% de Lula — 52% a 48% entre votos válidos, tecnicamente dentro da margem de erro, mas em trajetória de alta desde o levantamento anterior (46% a 47%).
No mesmo dia, o IBGE divulgou o IPCA de setembro em 0,82%, acima da mediana de mercado (0,76%) e revertendo a deflação de -0,32% de agosto. A inflação em 12 meses subiu a 4,58%, acima do teto da meta de 4,5%. O maior peso veio de Habitação (+2,31%), com a energia elétrica residencial subindo 7,98% após o fim do bônus de Itaipu e a bandeira tarifária amarela.
Por que importa
Os dois movimentos puxam o mercado em direções opostas. A alta das ações e a queda do dólar refletem a redução do prêmio de risco político: o mercado precifica um cenário eleitoral mais previsível para o câmbio fiscal, reduzindo a demanda por proteção em dólar. Já o IPCA acima do esperado trabalha contra esse otimismo — reabre a discussão sobre até onde o Banco Central pode seguir cortando juros. A Selic está em 13,75% ao ano após o quinto corte consecutivo do Copom, em 16 de setembro, dentro de um ciclo de flexibilização iniciado em abril. Sem reunião em outubro, a próxima decisão só vem em 3 e 4 de novembro, e a inflação mais pressionada divide analistas entre um novo corte e uma pausa.