Brent sobe 16% na semana com escalada entre EUA e Irã, e futuros de Wall Street operam em alta
Antes do Pregão

Brent sobe 16% na semana com escalada entre EUA e Irã, e futuros de Wall Street operam em alta

O Brent fechou ontem a US$ 89,22 na nona noite seguida de ataques dos EUA a alvos no Irã, com alta acumulada de 16% na semana. Futuros de Nova York sobem e a Ásia se recupera, enquanto o Ibovespa fechou em queda de 0,17% e o dólar operou perto de R$ 5,09.

O que move os mercados nesta manhã

O noticiário da madrugada é dominado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que chegou à nona noite consecutiva de ataques americanos a alvos iranianos, com Kuwait e Bahrein relatando ofensivas atribuídas a Teerã. O Brent fechou ontem a US$ 89,22, acumulando alta de cerca de 16% na semana — o terceiro ganho semanal seguido. Mediadores apresentaram ao Irã uma proposta de cessar-fogo de dez dias, o que trouxe alguma descompressão pontual ao mercado de petróleo ao longo do dia.

Na Ásia, a madrugada foi de recuperação: o Kospi (Coreia do Sul) fechou em alta de 3,56%, a 6.747,95 pontos, revertendo parte das perdas da semana passada ligadas à liquidação de papéis de inteligência artificial. Na Europa, os mercados abriram em alta, puxados pelo setor de óleo e gás (+1,48%) e por tecnologia (+0,52%). Nos futuros de Nova York, o apetite por risco prevalece: S&P 500 +0,51%, Dow Jones +0,33% e Nasdaq +1,31%.

Como fechou o último pregão

O Ibovespa encerrou ontem (20/07) em queda de 0,17%, aos 173.371 pontos, pressionado pela cautela do exterior diante da escalada no Oriente Médio. Petrobras subiu com o petróleo mais caro, mas não foi suficiente para sustentar o índice no positivo. O dólar fechou a sessão perto de R$ 5,09, com leve viés de alta nas mesas de câmbio.

Nos Treasuries americanos, o rendimento da T-note de 10 anos voltou a subir, para perto de 4,57%, refletindo a combinação de tensão geopolítica com a proximidade da reunião do Fed — cujos dirigentes já entraram em período de silêncio antes do FOMC da próxima semana, com manutenção de juros amplamente precificada pelo mercado. No câmbio, o dólar abriu hoje cotado a R$ 5,1122 ante fechamento anterior de R$ 5,1119. No metais, o ouro fechou praticamente estável, a US$ 4.015,9 a onça-troy, ainda acima da marca psicológica de US$ 4 mil mesmo com juros e dólar mais fortes: a prata, na contramão, subiu 1,32%, a US$ 57,072.

Agenda do dia

Nos EUA, o índice Redbook de vendas no varejo (mesmas lojas, ano contra ano) sai às 9h55 (BRT), com projeção de alta de 11,5% ante 8,2% da leitura anterior. Às 17h30, o American Petroleum Institute divulga o estoque semanal de petróleo bruto — dado que ganha peso extra com o Brent em rota de alta. No Brasil, a Neoenergia (NEOE3) reporta resultados do segundo trimestre.

A leitura para o portfólio

A manhã combina dois sinais que normalmente andam em direções opostas: petróleo em alta por risco geopolítico e futuros de ações também em alta, num viés majoritariamente risk-on nos mercados desenvolvidos. Para quem acompanha via ETFs, o câmbio mais pressionado e os juros longos americanos mais altos tendem a pesar sobre o IVVB11 e o NASD11 na precificação em reais, mesmo com os índices de referência no positivo lá fora. Na abertura local, o BOVA11 tende a refletir a cautela residual do pregão de ontem, com Petrobras como contrapeso pelo lado do petróleo. Vale observar o GOLD11: o ouro resiste acima de US$ 4 mil mesmo com dólar e juros mais altos, sinal de que parte do mercado ainda busca proteção contra o risco geopolítico em aberto.

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