Ataque a refinaria da Aramco neste domingo tensiona Oriente Médio na semana da Ata do Copom e do CPI dos EUA
Antes do Pregão

Ataque a refinaria da Aramco neste domingo tensiona Oriente Médio na semana da Ata do Copom e do CPI dos EUA

Um ataque com drone a uma refinaria da Aramco neste domingo (9/8) eleva a tensão no Oriente Médio às vésperas da Ata do Copom e do CPI dos Estados Unidos, os dois principais compromissos de uma semana marcada também pelo pico da temporada de balanços.

O que ficou da semana

O Ibovespa fechou a sexta-feira (7/8) em queda de 1,76%, aos 172.455 pontos, acumulando perda de 3,11% na semana — a pior desde maio —, pressionado por bancos, varejo e Petrobras. O dólar comercial recuou 0,47%, a R$ 5,08. Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou 0,62% na sexta, o Dow Jones subiu 0,28% e o Nasdaq, 1,30%, na esteira de um payroll de julho muito abaixo do esperado: perda de 23 mil vagas (o mercado projetava criação de 80 mil), com revisão negativa de 103 mil postos nos dois meses anteriores; o desemprego caiu a 4,1% e os salários desaceleraram a 3,2% em 12 meses. O petróleo Brent subiu 1,29% na sexta, a US$ 83,55, mas acumulou queda de 4,98% na semana diante da expectativa de um acordo entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz.

A agenda que importa

  • Terça (11/8), 8h: Ata do Copom, referente à reunião de 4 e 5/8 que cortou a Selic em 0,25 p.p., a 14,00% a.a. — o mercado busca sinalização sobre o ritmo dos próximos movimentos.
  • Terça (11/8): IPCA de julho, com projeção de alta de 0,16% no mês, levando o acumulado em 12 meses a 4,64%.
  • Quarta (12/8): CPI dos Estados Unidos de julho, com projeção de -0,4% no mês e 3,5% em 12 meses — teste decisivo para a trajetória de juros do Fed após o payroll fraco derrubar a aposta de alta em setembro de 57% para 43,9%.
  • Semana toda: pico da temporada de balanços do 2º trimestre, com 173 empresas na B3 — destaque para B3SA3, BBAS3, BHIA3, COGN3 e SUZB3 na quarta — e, na sexta (14/8), resultados dos grandes bancos americanos JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Bank of America.

Os temas em aberto

O Estreito de Ormuz segue como a variável mais instável da semana. O Irã fechou um entendimento com Omã para uma nova rota de navegação na região, mas condicionou a reabertura plena a seis exigências enviadas aos Estados Unidos no sábado (8/8) pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano. Neste domingo (9/8), rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, reivindicaram um ataque com drone a uma refinaria da Aramco em Jazan, na Arábia Saudita; o incêndio foi controlado e não houve feridos, segundo o Ministério de Energia saudita. O episódio reforça o risco de a normalização da rota — por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo e GNL — ficar mais distante.

Na trajetória de juros do Fed, o mercado migrou a expectativa de alta de setembro para outubro (56,2% de probabilidade) após o payroll fraco; o CPI de quarta é o próximo teste dessa leitura. No Brasil, a ata do Copom e o IPCA, ambos na terça, devem detalhar o espaço para novos cortes da Selic após o movimento de 4 e 5/8.

A leitura para o portfólio

Com o petróleo no centro da semana, BOVA11 tende a refletir o peso de Petrobras no índice — qualquer novo desdobramento em Ormuz se transmite rápido à commodity e, por tabela, ao ETF. IVVB11 e NASD11 seguem sensíveis à leitura do CPI de quarta: uma surpresa altista reabre o debate sobre juros mais altos nos EUA; uma confirmação da desaceleração reforça o cenário que já sustentou Wall Street na sexta. No mercado local, a ata do Copom e o IPCA de terça são o primeiro teste da semana para SMAL11, historicamente mais sensível a sinalizações de juros domésticos. GOLD11 segue como termômetro da aversão a risco geopolítico enquanto o desfecho em Ormuz não se confirma.

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