O fato
A uma semana do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro, pesquisas divulgadas ao longo da semana — BTG/Nexus, Quaest e outros institutos — mostram Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico, com vantagens de 1 a 3 pontos percentuais para o senador, sempre dentro da margem de erro. O estreitamento interrompeu o movimento que levara o Ibovespa a bater recorde histórico na primeira semana de outubro, após o primeiro turno (Flávio com 47,03% dos votos válidos, Lula com 45,16%). Na semana que terminou na sexta-feira, 16/10, o Ibovespa recuou 1,74%, a 205.430,33 pontos, mesmo com alta de 0,54% no próprio pregão de sexta. O dólar fechou a semana em alta: a PTAX do Banco Central encerrou sexta-feira em R$ 5,0826, valorização de 0,60% no dia e de cerca de 1,77% no acumulado semanal.
Por que importa
Desde o primeiro turno, parte do mercado vinha precificando uma vitória de Flávio Bolsonaro como o caminho mais provável para maior disciplina fiscal — o chamado "trade Flávio": compra de ativos domésticos e venda de dólar na expectativa de um governo mais ortodoxo nas contas públicas. O estreitamento das pesquisas nesta semana reduziu a confiança nesse desfecho, e o mercado devolveu parte dos ganhos acumulados em outubro. Nenhum dos dois candidatos apresentou até agora um plano fiscal detalhado — o que significa que a incerteza não é só sobre quem vence, mas sobre qual política econômica vem depois da urna, e isso pesa tanto quanto o resultado em si.
Como a semana fechou
Na B3, o movimento de saída foi mais concentrado em ações sensíveis ao ciclo doméstico e à percepção de risco fiscal, enquanto papéis exportadores, menos dependentes do cenário interno, ofereceram amortecimento ao índice — caso de Petrobras, que ajudou a sustentar o pregão de sexta. Na leitura por ETF, o BOVA11 replicou a queda semanal do Ibovespa, enquanto o IVVB11, exposto ao S&P 500 e à variação do dólar, tende a ter capturado parte da valorização da moeda americana no período. Fora do Brasil, o apetite por risco global seguiu mais estável, sem o mesmo nível de ruído político que marcou o pregão doméstico.