O que move os mercados nesta manhã O barril do petróleo Brent rompeu os US$ 100 pela primeira vez desde 26 de maio, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio — o CENTCOM confirmou a 12ª noite consecutiva de ataques dos EUA ao Irã, e o barril acumula alta de 42% em 20 dias. O movimento contaminou a Ásia: o Nikkei fechou em queda de 2,73%, a 64.611 pontos; o Hang Seng caiu 0,98%; o Shanghai Composite recuou 1,61%; e o Kospi/Kosdaq, na Coreia do Sul, acionaram circuit breakers (sidecar) após os futuros despencarem mais de 6%. O pano de fundo é o mesmo que abalou Wall Street na quinta: resultados decepcionantes de Alphabet e Tesla reacenderam o temor sobre o ritmo de gastos com inteligência artificial. Os futuros em Nova York tentam estabilizar nesta manhã: Dow +0,5%, S&P 500 +0,2%, Nasdaq-100 +0,1%. Some-se a isso a entrada em vigor, à meia-noite (horário do leste dos EUA), do novo pacote de tarifas de Trump — taxas de 10% a 12,5% sobre mais de 80 países, substituindo a tarifa global temporária de 10%.
Como fechou o último pregão Ontem, o Ibovespa recuou 0,46%, a 176.723,62 pontos (máxima de 177.896, mínima de 176.293, volume de R$ 21,15 bilhões), pressionado pela aversão a risco global e pela tensão no Oriente Médio. Em Nova York, o S&P 500 caiu 1,21%, a 7.408,30 pontos; o Nasdaq Composite recuou 2,15%, a 25.137,69 pontos; e o Dow Jones perdeu 506,93 pontos (-0,97%), a 51.711,65, no pior dia puxado pelas big techs. O ouro fechou em US$ 4.028, defendendo o piso psicológico de US$ 4.000. O rendimento da Treasury de 10 anos subiu a 4,70%, e o índice DXY recuou levemente a 101,36. A probabilidade precificada de alta de juros do Fed em setembro saltou de 68% para 80%.
Agenda do dia No Brasil, o Banco Central promove sua reunião trimestral com economistas, em duas etapas (9h30 e 11h). Na XP Expert, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, fala às 10h30, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, às 11h25 — discursos a observar por sinalização sobre juros diante do risco de inflação importada via petróleo.
A leitura para o portfólio O viés desta manhã é de aversão a risco, com o petróleo acima de US$ 100 e a tecnologia global sob pressão — ainda que os futuros americanos sinalizem tentativa de estabilização. Isso tende a pressionar o BOVA11 na abertura, na esteira da fraqueza de ontem e do contágio asiático. IVVB11 e NASD11 devem refletir a tentativa de recuperação dos futuros nos EUA, mas seguem expostos à volatilidade de tarifas e balanços de tech. A escalada no Oriente Médio mantém o GOLD11 como referência de proteção, mesmo com a pressão de juros e dólar mais altos. O discurso de Galípolo é o principal ponto de atenção doméstica do dia.
---
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.