O fato
A "Superquarta" de hoje coloca Fed e Copom em rotas opostas. Nos Estados Unidos, o mercado precifica 94% de chance de o Federal Reserve elevar os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75%-4,00% — a primeira alta desde 2023, encerrando cinco reuniões seguidas de taxa parada. No Brasil, a expectativa é inversa: o Copom deve cortar a Selic em 25 pontos-base, de 14% para 13,75%, dando sequência ao ciclo de afrouxamento iniciado em março. As duas decisões saem ainda hoje — a do Fed às 15h (horário de Brasília) e a do Copom à noite.
Por que importa
O gatilho comum das duas decisões é o petróleo. A escalada do conflito entre EUA e Irã, com ataques à infraestrutura saudita que ameaçam até 4% da oferta global, levou o Brent a fechar terça-feira (15/09) em US$ 108,75, alta de 2,9%. Nos EUA, isso empurrou o diesel para US$ 6 o galão e manteve a inflação ao consumidor em 3,4% ao ano em agosto — bem acima da meta —, forçando o Fed a agir mesmo com o risco de esfriar uma economia que ainda cria empregos. No Brasil, o cenário é o contrário: a inflação projetada para 2026 vem recuando há duas semanas seguidas no Focus, para perto de 5%, abrindo espaço para o Copom continuar cortando juros apesar do mesmo choque externo de petróleo.
Quem reage
O mercado opera em compasso de espera nesta quarta, com liquidez reduzida até a divulgação das decisões. O petróleo já cede parte do salto de ontem: o Brent abriu o dia em US$ 108,51 e opera perto de US$ 107,65, recuo intradiário de 0,78%. No fechamento de terça, o Ibovespa avançou 0,54%, a 186.502 pontos, puxado por Petrobras — o BOVA11 carrega essa exposição direta ao petróleo via peso da estatal no índice. O dólar subiu 0,14% terça, a R$ 5,1551, e tende a reagir com força ao tom do Fed: uma alta de juros mais dura tende a fortalecer o dólar globalmente, cenário em que o IVVB11 ganha atratividade como proteção cambial na carteira.